Tecnologias como redes neurais permitem detectar
e bloquear novos tipos de fraude mais depressa
O volume de operações de internet banking realizadas por pessoas físicas cresceu 786% entre 2000 e 2006 – ano em que o total de transações chegou a 3,3 bilhões, de acordo com a Febraban. De 2006 para 2007, a média diária de operações de TED (Transferência Eletrônica Disponível) saltou de 196 mil para 234 mil, segundo a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). Em contrapartida, o número de cheques compensados caiu nesse período: de 1,7 bilhão para 1,3 bilhão.
Esses dados revelam a tendência cada vez mais forte de substituição do cheque e de outros papéis tradicionalmente usados nas operações bancárias pelas transações eletrônicas – em especial, pela internet. Na verdade, eles são o reflexo da estratégia dos próprios bancos, que todos os anos fazem pesados investimentos em tecnologia da informação com o objetivo de ampliar a oferta de serviços e de canais de atendimento aos clientes.
Novidades como o mobile banking, os pagamentos pelo celular e o banco na TV digital (T-banking) prometem ainda mais comodidade aos usuários de serviços bancários – que não precisam ir às agências para fazer suas transações. O problema é que, na medida em que cresce o uso de canais eletrônicos de atendimento, aumenta também o risco de fraudes.
De acordo com o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), um serviço ligado ao Comitê Gestor da Internet, o total de tentativas de fraude pela web no país cresceu 8% em 2007, em relação ao ano anterior, chegando a 45.298. Na área financeira especificamente, as tentativas de fraude pela internet caíram 26% no mesmo período. Mas, segundo o CERT.br, o que ocorreu foi uma mudança no tipo de ardil utilizado: o número de páginas falsas de bancos brasileiros (phishing tradicional) aumentou. No primeiro trimestre de 2008, a tendência de aumento se manteve e o número de notificações de páginas falsas de bancos representou 4% do total de tentativas de fraude bancária notificadas ao CERT.br.
É por motivos como esses que, segundo a Febraban, os bancos investem cerca de R$ 1,2 bilhão por ano em tecnologias para garantir a segurança das transações eletrônicas. Apesar disso, os riscos de fraude vão continuar existindo, na medida em que um número maior de usuários adere aos meios eletrônicos de pagamento e que novos canais de atendimento – como os baseados nas tecnologias de redes móveis e sem fio – são colocados à sua disposição.
“O aumento da capilaridade, por meio dos correspondentes bancários, e o uso de infra-estruturas de TI compartilhadas, adotado pelos bancos para reduzir custos, também são fatores que aumentam a complexidade desse universo e criam brechas para o surgimento de fraudes”, afirma Anderson Gomes, da Diretoria de Mercado Corporativo do CPqD. Ele observa ainda que as fraudes são dinâmicas e se movimentam com o tempo, acompanhando a evolução da tecnologia.
Por isso, o CPqD defende o uso de recursos de inteligência aliados à análise comportamental dos clientes para reforçar os mecanismos de segurança contra fraudes já existentes nas instituições financeiras. “Soluções desse tipo permitem detectar de modo mais assertivo o que realmente tem probabilidade de fraude, reduzindo os casos de falso-positivo (falsa fraude) que geram atritos com o cliente”, diz Sirlene Aveiro Honório, da Diretoria de Negócios e Soluções de Mercado do CPqD.
A tecnologia de redes neurais tem sido um elemento fundamental nesse processo. “Redes neurais são modelos estatísticos avançados que têm capacidade para trabalhar com um número muito grande de variáveis e de ‘aprender’ a partir de exemplos”, explica Sirlene. A combinação dessa tecnologia com o perfil de comportamento do cliente e com a correlação de eventos de segurança de TI – utilizada pelo CPqD em sua solução Gestão Integrada de Fraudes e Eventos – resulta numa solução de inteligência capaz de ajudar o banco a tomar decisões com mais eficiência. “Com inteligência, fica mais fácil detectar novas fraudes e, assim, bloqueá-las mais depressa”, completa Anderson Gomes. |