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Artigos Especiais
 

Investidores estão dispostos a financiar a saída do Brasil ao Pacífico pelo Peru

 

 

Rubens Amaral, Diretor brasileiro do BLADEX - Banco Latino Americano de Desenvolvimento das Exportações, declarou que a América Latina vive um bom momento econômico, especialmente pelo crescimento de suas exportações. O seu maior problema é a carência de infra-estrutura. No caso brasileiro, por exemplo, diz que há investidores interessados em apoiar a saída para o Pacífico, através do Peru, para facilitar as exportações para a Ásia. A seguir, as suas palavras:

 

Há, atualmente, investidores no mundo que estão dispostos a financiar projetos de acesso do Brasil ao Pacífico através do Peru. Hoje em dia, existem os chamados Sovereign Funds, os Fundos Soberanos, que têm volume de recursos importantes para investir. Existe dinheiro do Oriente Médio, dos chineses, e dos países da Ásia, de maneira geral, e da Europa, que têm esse dinheiro para investir nesses projetos. Os Bancos de Desenvolvimento da Irlanda e da Alemanha estão investindo direto em projetos de longo prazo.

 

Os investidores estão olhando de uma maneira seletiva para quais projetos podem fazer a diferença. Dinheiro não vai faltar, mas ele não vai ser tão abundante quanto em 2007. O preço vai ser ajustado em função do que vai acontecer na economia americana. Pode ter um impacto, mas não é duradouro, é um impacto mais de curto prazo. Em relação à taxa de juros, a preocupação é muito maior a curto prazo. A longo prazo, a tendência é ajeitar.

 

Nós entendemos que um dos motores do crescimento da região latino-americana é o comércio exterior. Enquanto ele continuar a crescer, vamos observar um crescimento desses países. Nos últimos anos, o comércio exterior da América Latina tem crescido não menos que 20%, e o crescimento do PIB tem sido, em média, 5%. Está dentro daquilo considerado normal, no ponto de vista do crescimento da região.

 

A região, para continuar crescendo, precisa investir pesado em infra-estrutura. Isso não é só uma questão do Brasil, mas da América Latina, de uma maneira geral, além da América Central, com destaque para a Costa Rica e El Salvador. São países que tem um nível de desenvolvimento importante para a região. Tem ainda o Panamá, a Nicarágua, Honduras e Guatemala. A República Dominicana tem uma indústria de turismo muito forte, e essa parte de turismo tem potencializado muito o desenvolvimento da região.

 

Diante desse panorama, nós olhamos para a região pensando no comércio exterior. Todos esses países, de uma maneira geral, têm uma vertente importante de comércio exterior. São também importantes na parte de telecomunicações.

 

 

A região ganha prestígio


A América Latina está bem posicionada, continua crescendo o comércio exterior, atraindo investimentos, desenvolvendo o mercado imobiliário, indústria de Turismo e Telecomunicações. A nossa visão é uma visão otimista de crescimento continuado, a não ser que se tenha, realmente, uma deterioração muito forte da situação americana. Se os EUA passarem por uma recessão mais aguda, vai ter um impacto na China e, conseqüentemente, na América Latina.

 

Percebe-se que a América Latina avançou politicamente, alcançando uma estabilidade que não se via no passado, uma maturidade de comércio exterior importante. Com toda essa estabilidade política e econômica, esses países estão atraindo investimentos e gerando empregos. Existe um movimento que pode estabilizar esse nível de remessas, ou eventualmente até diminuir esse volume de remessas. Isso vai ser compensado pelo crescimento do comércio exterior, pelos investimentos imobiliários que estão sendo feitos e pelas indústrias que estão se instalando nesses países.

 

A nossa visão de América Latina é uma visão otimista, de continuado crescimento. Existe, claro, uma grande preocupação da nossa parte pela extensão da crise nos EUA, qual o tamanho do buraco. É uma grande incógnita o que vai se passar lá, e se fosse o Brasil ou qualquer outro país do mundo, já haveria uma recessão aguda. Mas, como é os EUA, está sendo discutido se há recessão ou não; o dólar continua sendo moeda de reserva. A confiança no modelo de negócios americano ainda é muito forte, porque os EUA desenhou um modelo de negócios de exportação de emprego e geração de renda superior no seu país. Isso continua funcionando, porque o resto do mundo continua sendo exportador de capitais para os EUA.

 

Um sistema financeiro eficiente


Não é criação de banco que resolve o problema de crédito. O sistema financeiro atual desses países está preparado para suportar o crescimento de crédito, e estão investindo nessa área. E o Brasil só está começando o que já foi uma realidade nos EUA, e o potencial de crescimento aqui é fenomenal. O efeito multiplicador que se pode ter em um país como o Brasil é muito grande, e vem atraindo investidores.

 

O problema de crédito na região não é banco, porque o sistema financeiro da América Latina é muito bem desenvolvido. Não existe banco, hoje, na América Latina, que não tenha acesso ao mercado internacional. O problema de disponibilidade de crédito é um problema de investimento nas economias. Se o Governo não investe, o setor privado também não investe. Aquilo que pode garantir o desenvolvimento sustentável é o investimento do Governo em infra-estrutura, principalmente no caso do Brasil.

 

Nós acreditamos que os países terão seus próprios investimentos do próprio Governo e privados -, passando a ter uma oferta de crédito maior nos países. Há uma confiança na própria moeda, na própria economia e uma busca do crescimento desse mercado interno. Existe uma oferta no mercado local que, no caso do Brasil, ajudou muito a diminuir esse problema da falta da moeda estrangeira, que passou a acontecer a partir do ano passado.

 

Houve uma mudança substancial do perfil de composição da oferta de crédito muito mais doméstica do que estrangeira. Existe um espaço importante de crescimento de oferta de crédito no Brasil, e para isso, precisa dos projetos, como de infra-estrutura e projetos imobiliários.

 

O Bladex é um banco supranacional, criado em 1975, que atua em todos os países da América Latina, com sede no Panamá. O Bladex foi o primeiro banco latino americano a fazer um IPO.

 

 
 
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