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A crise e o papel de TI no mercado financeiro

 

Agora que mais uma crise nos assola. Mais uma crise? Não, segundo os especialistas, a maior crise desde o grande “crack” da bolsa de Nova Iorque em 1929. Mais severa que a crise do petróleo dos anos 70, mais abrangente que o fim da bolha da Internet e com perspectivas mais recessivas que o pós 11 de setembro. No entanto, as lições da grande depressão dos anos 30 deixaram seu legado, que pode e tem a obrigação de ser usado em um momento como esse: Bancos centrais mais eficientes, governos mais cientes de sua ação responsável e até mesmo interventora, maior responsabilidade fiscal e em alguns casos maior controle sobre o sistema financeiro.

 

Além disso, se por um lado uma economia globalizada tende a catalizar os efeitos de uma crise, por outro a as medidas remediadoras passam a ser definidas de forma integrada pelas nações e seus efeitos também são notados mais rapidamente.


Não obstante, mais do que medidas corretivas, o que realmente atenua os efeitos da crise são as políticas regulatórias preventivas e programas sustentáveis de longo prazo praticados por cada um dos governos. Basta observarmos a forma conservadora e ressalvada com a qual os investidores das bolsas de valores do mundo todo têm reagido aos planos recém propostos .
Nesse contexto, países como o Brasil, podem levar vantagem. Os pessimistas afirmam que a crise não chegou no Brasil ainda, enquanto que os otimistas afirmam que ela chegará de forma atenuada por aqui.


O fato é os efeitos recessivos não se fazem sentir plenamente (não sei se ainda) e talvez a explicação possa estar justamente nas características particulares de países como o nosso.

 

Primeiramente por estarem acostumados a navegar em águas turbulentas de crise. Não é simples o processo de se estabilizar uma hiperinflação de até 70% ao mês, quando produtos de prateleiras de supermercado têm de ser remarcados mais de uma vez ao dia! É uma experiência que deixa marcas profundas, mas ao mesmo tempo importantes ensinamentos.


Complementarmente, o Brasil apresenta uma solidez econômica que se não nos blinda totalmente dos efeitos de uma crise global, deve atenuar os efeitos aos menos de maneira mais sólida do que em outros países emergentes. O Brasil é hoje auto-suficiente em petróleo, pioneiro em desenvolvimento de programas de energia alternativas (pró-alcool), principal exportador de diversos alimentos em um momento em que vários países aumentaram seu consumo, sem uma produção que acompanhe o mesmo. Sem desconsiderarmos os benefícios de uma continuidade política, que independentemente de preferências partidárias, ajuda a sustentar a execução de programas de longo prazo. Sabemos que falta ainda um ajuste fiscal e maior equilíbrio nas contas do governo, mas os resultados das políticas positivas tomadas já se fazem sentir mais fortemente que as limitações ainda existentes.


Dentro desse contexto todo, o sistema financeiro vai precisar de toda a colaboração possível. Dos investidores , dos governos e mesmo da tecnologia.


É justamente nesse último ponto que o papel dos CIO’s se faz relevante. Na verdade, já faz anos que eles vêm sendo cobrados para estar mais alinhados ao negócio e a “fazer mais com menos”. A diferença é que agora essas diretrizes serão ainda mais potencializadas, e os executivos vão precisar buscar mais determinadamente soluções que os permitam atingir a esses objetivos, como alternativas de código aberto, por exemplo.


As instituições financeiras vão precisar lançar novos produtos , mais adaptados à nova realidade e mais depressa. E qual sistema operacional permite essa agilidade independentemente em plataformas baixas, intermediárias ou altas? O Linux oferece essa possibilidade.


E atualmente a oferta de código aberto não está restrita a infra-estrutura, há soluções de middleware, gerenciamento de ambientes e de identidades, colaboração, gestão de conteúdo, enfim toda a gama de alternativas ao mundo do software tradicional..


Mais que isso, algumas dessas empresas apresentam estruturas locais de consultoria, treinamento e suporte de dar inveja aos seus equivalentes proprietários, e ainda há casos no país e fora, de diversas aplicações de missão crítica bem sucedidas nesses ambientes.


Sob o aspecto segurança, tão importante em especial para segmento financeiro, não podemos deixar de destacar que soluções de código aberto são menos vulneráveis à inclusão de vírus tipo “cavalo de Tróia” ou mecanismos de interrupção de outras naturezas. Além disso são soluções mais auditadas do que as proprietárias e é importante ainda lembrar que o código aberto é o fonte, e não o binário que entra em produção.


Voltando ao ponto de “fazer mais com menos” nos leva à tendência a virtualização, e nessa abordagem, as soluções de código aberto são ainda mais competitivas, apresentando significativos ganhos financeiros, já que podem vir incluídas em subscrições do sistema operacional sem custo adicional. Enfim são múltiplas as possibilidades ofertadas por essa alternativa que se solidifica rapidamente a cada dia, e quem souber aproveitar, mais uma vez vai conseguir se incluir no seleto rol daqueles que enxergam na crise uma oportunidade.

 
 
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