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Sobre o autor |
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Franklin Coelho é coordenador do Projeto Municípios Digitais do Estado do Rio de Janeiro. |
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Cidades Digitais e a InovaÇÃo na EducaÇÃo
Junho de 2009 |
A experiência da Cidade Digital em Piraí acaba de assumir o desafio de implantar o projeto "um computador por aluno" em todas as escolas de sua rede municipal, constituindo-se no primeiro município do mundo em que todos os alunos na rede pública têm um laptop para o seu trabalho em sala de aula. Com a aquisição de 5 500 Notebooks Classmate, que serão entregues aos alunos matriculados em todas as suas 21 escolas municipais, o município assume um caminho de mudança estrutural que não se resume ao campo educacional.
O programa exige uma mudança radical não só nos modos como se ensina e como se aprende, mas coloca de fato a comunidade escolar no centro difusor de uma cultura digital. Trata-se, portanto de um processo de mobilização e construção social dos novos sujeitos desta transformação como são os professores-aprendizes, alunos-autores e alunos-tutores.
Este vivenciar da produção do conhecimento, de forma interativa, utilizando redes virtuais que envolvem todas as escolas pressupõe o repensar dos caminhos de aprendizagem não centrado apenas em uma escola. Deste modo, o projeto piloto do Programa do Ministério de Educação desenvolvido em cinco escolas (Porto Alegre, São Paulo, Brasília, Piraí e Palmas) tem um limite no sentido de pensar estas possibilidades de redes educacionais em uma determinada cidade.
Estas redes educacionais potencializem e materializem novas propostas e práticas na estrutura educacional do município. Significa trabalhar com os professores as capacidades cognitivas para enfrentar estes desafios como a de moderar de grupos na produção do conhecimento no qual se constrói caminhos a serem explorados, desvendados, contextualizados, sistematizados e qualificados.
As escolas transformam-se em redes sociais nas quais alunos- autores e alunos-tutores constituem-se em pontos nodais do processo interativo de produção do conhecimento. Na abordagem que inova a educação no projeto Piraí Digital, os ambientes virtuais de aprendizagem se constroem não, mas como laboratórios de informática que muitas das vezes se constituíam em espaços isolados equidistantes do projeto pedagógico da escola, mas como uma rede social territorializada, construída de forma cooperativa, autônoma e interativa, na qual a dimensão pedagógica orienta o uso de ferramentas tecnológicas.
Esta transformação exige também uma reestruturação da gestão administrativa e pedagógica da Secretaria de Educação com a formação de uma equipe de aprendizagem que trabalha um processo continuado de avaliação. Processo de avaliação entendido não como controle, mas como produção do conhecimento.
Este trabalho em rede assume também uma dimensão no suporte técnico, exigindo a formação de recursos humanos capazes gerir e monitorar um sistema de servidores em nuvens que se integram a partir de cada escola. A utilização de classmates por todos os alunos da rede escolar exige caminhar para o modelo de computação em nuvem nos quais recursos físicos e locais são convertidos em escaláveis e disponível em rede. A utilização de uma rede virtual utilizando o conceito de computação em nuvem potencializa a utilização dos classmates, reduz custos de equipamentos e infraestrutura e permite um planejamento escolar mais dinâmico e com maiores recursos.
Por fim, a decisão da Prefeitura de que os computadores podem ser levados para casa exige um envolvimento das famílias e uma mobilização social da comunidade. Este desafio exige uma sensibilização da comunidade na constituição de um pacto de sustentabilidade do projeto.
Mas toda esta mudança estrutural só é viável se encontrar um ambiente de uma cidade digital com uma infraestrutura capaz de poder se expandir tanto fisicamente como na ampliação do link. A ampliação física depende da qualidade do projeto, da seleção de tecnologias e de dispositivos da rede que permitam contemplar expansões futuras de sua capacidade e assegurem o crescimento contínuo e a aderência às novas tendências.
Deste modo, programas educacionais municipais e estaduais com a dimensão que o hoje o Projeto Piraí Digital está implantando, só poderão ser pensados dentro de uma visão estratégica de constituição de uma rede pública de transmissão voz dados e imagem com capacidade escalar e de uma ação política dos governos de constituição de pactos territoriais que garantam a mobilização integrada de Estado e Sociedade por uma inserção na sociedade da informação e do conhecimento.
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