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Colunistas > Marcel Solimeo  |
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Sinais de recuperaÇÃo
Junho de 2009 |
A decisão do COPOM em sua última reunião, de reduzir em 1pp a SELIC, surpreendeu alguns analistas que, após a divulgação dos resultados do PIB pelo IBGE, apostavam em diminuição de 0,75% da taxa básica de juros. Isto porque os dados, apesar de confirmarem que o país entrou em “recessão técnica” no primeiro trimestre de 2009, mostravam queda menor do que a estimada pelo mercado. A retração de 1,8% do PIB, trimestre contra igual período do ano anterior não foi maior pelo desempenho do setor Serviços, cujo crescimento de 1,7% ajudou a reduzir o impacto da queda de 1,6% da agropecuária e de 9,3% do setor industrial.
Pela ótica da demanda, observa-se que o consumo das famílias, com aumento de 1,3%, e o do governo, 2,7% explica o resultado mais favorável do que o esperado pelo mercado, e que levou à expectativa de que o COPOM deveria reduzir mais brandamente a taxa SELIC. Observando-se, porém, o desempenho da Formação Bruta de Capital, que apresentou variação negativa de 14% e da indústria de 9,3%, e o comportamento da taxa de inflação, que sinaliza se manter dentro da meta neste ano e em 2010 e, ainda, a valorização do Real, parece-nos que a decisão do COPOM foi mais do que justificada, embora o conservadorismo revelado em outras oportunidades pudesse justificar tais previsões.
A comprovação de que o Brasil entrou em “recessão técnica” no primeiro trimestre do ano – isto é, apresentou resultado negativo do PIB por dois trimestres consecutivos –, torna-se pouco relevante quando alguns indicadores apontam para um resultado melhor da economia de abril pra frente, sinalizando que, a partir do segundo semestre poderemos começar a registrar crescimento da economia, embora modesto, mas o suficiente para que se possa esperar um desempenho do Produto Interno Bruto próximo de zero,um pouco acima ou um pouco abaixo. Com isso, se pode projetar um PIB positivo para 2010.
A normalização gradativa do crédito, a queda das taxas de juros e o alongamento dos prazos do crediário vêm permitindo a recuperação das vendas dos bens de maior valor, e pode compensar a redução ou eliminação da redução do IPI concedida a alguns setores, de forma que se pode esperar melhor desempenho do varejo no segundo semestre. A estabilização do nível de emprego e o crescimento da renda das camadas salariais mais baixas também vão contribuir para esse resultado, bem como para que a inadimplência se mantenha sob controle.
Se existe sinalização de que “o pior já passou” e que a economia está começando a se recuperar, isso não significa que o impacto da crise externa no país já esteja superado, porque a retração dos investimentos ainda persiste e irá afetar a taxa de crescimento futura. Também o efeito da retração do comércio internacional sobre as exportações continua a se fazer sentir, prejudicando fortemente as empresas voltadas para o exterior.
Quanto ao emprego, os sinais existentes são de estabilização, mas não se tem indicações de que teremos no curto prazo, condições de absorver os desempregados pela crise e, menos ainda, o imenso contingente que anualmente adentra ao mercado de trabalho. Preocupa, também, o desempenho das contas públicas para o próximo ano, uma vez que o aumento dos gastos de custeio, que podem estar ajudando no momento a evitar maior desaceleração da economia, são, no geral, despesas de caráter permanente.
As afirmações ufanistas de que o Brasil vai sair primeiro da crise, e mais forte, não se confirmarão se não houver um clima de confiança que leve os empresários a voltar a investir, porque os investimentos do PAC são insuficientes para alavancar o crescimento, e sua execução tem ficado sempre abaixo do esperado. Assim, os gargalos nas diversas áreas de infraestrutura não apenas continuarão a existir, como inibirão investimentos privados nos setores que exigem uma logística mais complexa para manter a competitividade.
Assim, podemos comemorar que “o pior já passou”, mas não nos acomodarmos com isso. É preciso que o governo faça a parte que lhe compete, para que o setor privado possa promover o crescimento que o país necessita.
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