Colunistas > Élcio Anibal de Lucca  |
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Sobre o autor |
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Elcio Anibal de Lucca – é presidente de Assuntos Corporativos da Experian América Latina; vice-presidente do Conselho de Administração da Serasa e presidente do MBC – Movimento Brasil Competitivo.
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| Gestão para um mundo melhor
Janeiro de 2009 |
A presente crise financeira global define uma situação inédita para a economia real. Após 25 anos de expansão mundial, empresários e consumidores encontram dificuldades em tomar decisões ante um cenário desconhecido em dimensão e conseqüências. Certamente, todos nós seremos outras pessoas após essa tempestade e nossos negócios e conhecimento também serão outros.
Refletindo, a crise atual tem dois focos: estrutural e valores. Estrutural porque, nos mercados mais desenvolvidos e liberais a falta de regulamentação do setor financeiro não foi bem compreendida por seus agentes e também não foram respeitados os instrumentos para um eficiente gerenciamento do risco. Joaquín Almunia, Comissário Europeu para Assuntos Econômicos e Monetários diz que “está em crise toda concepção da atividade financeira, da gestão de ativos e dos mecanismos de supervisão”. Quanto aos valores, a avareza atropelou os princípios.
Que mundo queremos pós-crise? Que planos temos para reerguer as organizações como espaço difusor e multiplicador de valores, como a ética? É bom se ter a consciência de que a crise está trazendo muitas mudanças para o mundo corporativo, que vão além do aspecto financeiro. A recuperação da confiança nos mercados passa pela revisão dos objetivos e das condutas corporativas.
O momento torna mais claro a responsabilidade dos gestores com o que ocorre, mas não há uma só volta no mundo. Não colhemos individualmente o que plantamos. Nossa ação como gestores amplifica nossa capacidade de agir como cidadão. Dirigir as empresas para seu fundamento: servir ao homem. Buscar a sustentabilidade plena. Compartilhar o sucesso empresarial com as pessoas, com o país. Ter fé.
A crise dá oportunidade para se passar a limpo a história recente. Ela deve significar o adeus à ambição exacerbada, à corrupção, à competição desigual e a qualquer preço, ao massacre dos valores, à extrema valorização do material, à devastação ambiental e à falta de respeito com o próximo. O pós-crise é dedicado à reconstrução, à transformação e ao resgate do que havia de aproveitável. Lembrando que, historicamente, as tentações mais radicais sempre encontram nesse momento uma situação muito fértil para florescer. Este aspecto chama a atenção e cabe às empresas não colaborar indiretamente com isso, via atitude voltada apenas para resultados financeiros.
Sem dúvida, o desafio agora para as empresas é gerar caixa e fazer ajustes sobre seus planos de investimentos. Porém, a preservação de seus profissionais, que são o próprio corpo da empresa, é fundamental, até mesmo porque esta situação não será eterna e no futuro próximo os negócios devem voltar a crescer. Como alguns dizem, e eu não concordo, preservar o capital intelectual, o principal ativo da empresa. O ser humano é mais do que isso, ele é a própria empresa.
Diante desse panorama é essencial que a gestão corporativa seja voltada e compromissada para um mundo melhor, carregando uma nova perspectiva para as organizações e para as pessoas no terceiro milênio. Uma relação em sinergia para resultados coletivos.
A sustentabilidade viabiliza este caminho, por meio dos resultados econômicos, pela preservação do meio ambiente, pela realização da cidadania empresarial e pela prática dos valores. O gestor moderno, no conceito global, tem a obrigação de considerar o social em suas decisões.
Rainer Plassmann, secretário-geral do Centro Europeu de Negócios com Participação Pública e de Negócios de Interesse Econômico Geral (CEEP), entidade reconhecida pela União Européia, diz que “ é importante se ter em mente que os mercados são compostos por dois capitais: um é o dinheiro e o outro é a confiança dos cidadãos, dos consumidores. Para se alcançar a credibilidade e a continuidade dos negócios, o diálogo social é o fator-chave. Parcerias sociais fazem parte da solução da crise.”
2009 será um ano provocante. Doutrinas e estratégias serão revistas. O homem está na escolha de seu destino e deve optar pelos valores e sem esquecer a natureza. Mesmo com a falta de otimismo na economia no próximo ano, o homem deve buscar a harmonia, o equilíbrio, que também fazem parte da solução da crise. Nós, gestores, temos uma grande responsabilidade que vai além da teoria, do discurso. Temos obrigação, com os outros e com nós mesmos, de contribuir incessantemente para um mundo melhor. Deus permita um bom ano e saúde para todos.
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