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Colunistas > Márcio Fortes  |
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Sobre o autor |
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Márcio Fortes é presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças -
IBEF Nacional
Site:
www.marciofortes.com.br
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| Oportunidades desperdiÇadas
Junho de 2009 |
É preciso avaliar com cuidado a economia brasileira. Não podemos confundir a condução da macroeconomia com o dia a dia dos agentes econômicos. As bases, aliás, da boa administração macroeconômica foram plantadas no governo anterior, a partir do Plano Real, do Proer – que saneou o sistema financeiro, hoje sólido face aos congêneres internacionais –, da seriedade no trato das finanças públicas e da responsabilidade fiscal.
Essa condução eficiente da macroeconomia, no último ano – passando, portanto, por todo o período da aguda crise internacional –, contribuiu, sem dúvida, para diminuir seus efeitos, mas nosso atraso teve um papel maior. Fomos menos afetados porque estávamos menos globalizados. Sofremos menos porque nosso nível de alavancagem era pequeno. Não perdemos tantas reservas porque estávamos muito pouco expostos ao mercado de capitais internacionais.
Deixamos de aproveitar, no momento certo, as vantagens da nossa dimensão, da nossa importância e de todo nosso potencial. O país se atrasou entre 2003 e 2008 de forma significativa, face às suas reais possibilidades e às nações equivalentes. Isto foi constatado e anunciado. Lamentamos, à época, que tivesse sido assim.
Teria sido melhor se tivéssemos crescido e aproveitado – como a China fez e a Índia, em parte – a oportunidade daquele momento. Teríamos perdido mais na crise, mas o resultado de hoje seria significativamente superior ao atual. Estaríamos em novo patamar. Como, aliás, demonstra a apuração do que ora ocorre nos outros três países dos BRICs. Não estamos crescendo, caímos muito pouco, estamos subindo muito pouco. Os outros caíram muito e já estão velozmente em curva ascendente em suas economias.
Vale dizer, na contratação de pessoas, nos ajustes necessários para a maior produtividade, no aproveitamento mais racional das inovações tecnológicas, nas oportunidades de mercado e, certamente, na empolgação de todos os agentes econômicos na mesma direção. Sem preconceitos, sem dificuldades de entendimento por razões de velhas ideologias que pensávamos estivessem enterradas.
Nossa macroeconomia continua sendo bem administrada, mas o país não está crescendo como merece. Anunciar a criação de cem mil empregos em abril é um fato auspicioso, se não levarmos em conta os cerca de 800 mil empregos perdidos de dezembro para cá. É uma forma de querer enganar os analistas e os próprios agentes econômicos, mas estes não se deixam enganar porque estão em jogo seu crédito, a vida de suas empresas e sua autoridade face aos nichos de mercado que conquistaram. Também em jogo sua a responsabilidade com seus empregados e fornecedores.
Não estamos investindo. Não por medo, mas por convicção de que as bases da economia brasileira são muito boas no macro e muito deficientes no que importa no dia a dia para a produção, a comercialização e a inovação tecnológica. O governo Lula está completando seu sétimo ano. Nada de reforma tributária, de estímulos à produção e ao investimento. A questão trabalhista continua injusta com os empregados. A tributária, iníqua com quem investe. E a fiscal é agravada pelo aumento de dispêndios públicos, em detrimento da capacidade de investir do governo federal.
Na nossa federação pouco aperfeiçoada o que acontece com os impostos federais repercute multiplicado nas finanças estaduais e municipais. Não podem, portanto, os agentes econômicos esperar muito dos próximos meses, lamentavelmente.
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