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Colunistas > Peter T. Knight
 
  Sobre o autor

Peter T. Knight é Coordenador do Projeto e-Brasil e Presidente da Telemática e Desenvolvimento Ltda.


peter.knight@e-brasil.org.br
www.e-brasil.org.br

Limites e o XXI FÓrum Nacional

 

 

 

Maio de 2009

Num mundo finito, nada pode crescer continuamente sem confrontar limites físicos. As projeções sugerem que o crescimento da população mundial pode acabar em meados do atual século XXI, com 30 ou 40% mais pessoas do que as que existem no planeta hoje, mas o crescimento econômico necessário para sustentar esta população com padrões de consumo hoje considerados desejáveis (vamos dizer de “classe média” internacional) parece impossível de ser realizado.


Comecemos pela energia. Hoje a produção mundial de petróleo parece estar chegando ao seu máximo – nos Estados Unidos este ponto (chamado Peak Oil) já foi alcançado na década de 70. Desenvolver novos campos petrolíferos (como o pré-sal brasileiro), extrair e refinar o produto custa cada vez mais em dinheiro e em energia – os campos mais acessíveis já estão se esgotando, e as economias emergentes estão colocando enormes novas demandas no mercado. Então, a perspectiva é de se ter cada vez menos petróleo que custa cada vez mais, sendo o petróleo a base da moderna sociedade industrial, tanto para energia quanto como insumo para outros produtos (como plásticos e fertilizantes). Todos os substitutos também têm limites. Mesmo se fosse encontrada uma fonte nova, barata e não poluente de energia (por exemplo, a fusão), a mesma coisa aconteceria com outros recursos críticos – água, terra cultivável, estoques de peixes, minérios, etc.


O aquecimento global é só o mais visível e global indicador de que os efluentes da sociedade industrial estão alterando e/ou destruindo o meio ambiente necessário para sustentar a vida.


O desafio que confrontamos é descobrir como desenvolver com pouco ou nenhum crescimento a nível global, como melhorar a distribuição de renda e consumo a nível nacional e internacional, e como prover incentivos aos agentes econômicos consistentes com estes objetivos. Vamos precisar de uma revolução em valores, de mais ênfase nas relações humanas e espirituais, valores menos calcados no consumo de bens e serviços demandantes de insumos físicos. A eficiência no uso dos recursos escassos terá que ser promovida, com a ajuda do sistema de preços, mas provavelmente por si só isso não será suficiente. No caminho pode haver muito conflito geopolítico em torno de acesso aos recursos ainda existentes, colapsos de países e até regiões inteiras com grandes perdas populacionais, surgimento de novas doenças internacionalmente transmissíveis, etc.


Frente a este desafio, os trabalhos apresentados no XXI Fórum Nacional, realizado no BNDES nos dias 18 - 21 de maio, ofereceram algumas considerações relevantes. O tema básico foi o novo papel mundial dos BRICs (e outras economias emergentes) e as oportunidades do Brasil sair da atual crise através de um Plano de Ação esboçado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), dirigido pelo ex-ministro de planejamento João Paulo dos Reis Velloso, em colaboração com notáveis líderes empresariais brasileiros. Para o programa do Fórum e os trabalhos apresentados, veja:
http://www.inae.org.br/sec.php?s=110&i=pt.


Se fosse só o Brasil, com suas relativamente boas condições macroeconômicas, recursos naturais ainda abundantes, matriz energética entre as mais limpas, esforço de investimento em bicombustíveis, petróleo e gás do pré-sal como fontes de recursos para a transição a outras fontes energéticas, intensificação da pesquisa e do desenvolvimento de alternativas mais verdes e supondo mais sucesso nas áreas críticas de educação, uso das TICs, desenvolvimento social e reformas do estado e do sistema político, o Plano de Ação parece um bom guia para sair da crise e promover o desenvolvimento.


Mas me parece que há certa falácia de composição subjacente que transpareceu especialmente nas apresentações feitas nos primeiros dias do Fórum sobre o rápido crescimento econômico esperado das principais outras economias emergentes – especialmente China e Índia que não desfrutam dos mesmos recursos naturais – nas próximas décadas e sem significativa consideração dos limites físico-ecológicos globais. Estas projeções não mostraram como a economia mundial poderia continuar a crescer durante as próximas décadas apesar destes limites. Mesmo assim, com um esforço conjunto dos setores público, privado e acadêmico; da sociedade civil e da mídia como o previsto no Plano de Ação, as chances do Brasil são melhores do que as de muitos outros países.

 

 
 
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