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Colunistas > Basílio Dagnino
 
  Sobre o autor

Basílio Dagnino é fellow e membro fundador, The Chartered Quality Institute, Londres. Fellow, American Society for Quality. Diretor técnico da Qualifactory
Consultoria.

 

dagnino@uol.com.br


NegÓcios da China

 

 

 

Junho de 2009

Engenheiros de falsificação são contratados para produzir registros falsos nas fábricas chinesas. Por mais incrível e estarrecedor que isso seja, o fato está relatado na página 200 de livro recente, “The China Price: The True Cost of Chinese Competitive Advantage”, de Alexandra Harney, The Penguin Press, New York. Não é para menos, pois, que problemas com alimentos e brinquedos chineses tenham atingido proporções mundiais.


A autora atribui à penetração dos produtos chineses a dois fatores: os 1,3 bilhão de habitantes que vivem frugalmente, e um sistema educacional extenso para treinar profissionais selecionados para apoiar a estrutura física e intelectual da base industrial.


Por outro lado, apesar dos problemas que têm ocorrido com a qualidade na China, isso não quer dizer que o Governo e os clientes não possuam normas ou padrões, apenas eles não são eficazmente comunicados e cumpridos. Ocasionalmente, entretanto, alguém é severamente punido com prisão, multas ou fechamento do negócio em razão de algum ato grave (os jornais brasileiros publicaram até um caso da aplicação da pena de morte). O forte governo central é capaz de reagir efetivamente, e por vezes com o uso da força, para corrigir ações que são percebidas como não estando de acordo com os interesses nacionais.


Outro livro recente, “All the Tea in China: How to Buy, Sell, and Make Money on the Mainland”, de Jeremy Haft, Porfolio, New York, chama a atenção para a imperiosa necessidade de avaliar cuidadosamente os pontos fortes e as fraquezas dos fabricantes chineses, antes de fechar qualquer negócio. Isso evitará problemas desagradáveis posteriormente.


O autor enfatiza a importância de verificar cuidadosamente os documentos contratuais, de forma a garantir um controle da qualidade abrangente, sugerindo que o modelo utilizado pela Wall-Mart seja adotado. Ele também cita os aspectos financeiros, comerciais, de engenharia, legais e regulamentares, logísticos, cronogramas, fluxo de caixa e documentação como pontos a considerar desde o início de um negócio. É ainda recomendada a contratação de firmas locais especializadas, em particular para apoio nas questões relativas a frete. O Autor recomenda que as empresas interessadas sigam sete passos estruturados para enfrentar as incertezas do mercado chinês. Paciência e profundo conhecimento do sistema de compras são fatores críticos para o sucesso de qualquer iniciativa no sentido de comprar ou vender aos chineses.


Apesar das vicissitudes e das dificuldades, ambos os Autores traçam um futuro otimista para os importadores de produtos chineses. Haverá um dia em que as condições dos trabalhadores nas fábricas melhorarão, e em que os registros da qualidade refletirão sempre a realidade. Isso acarretará um aumento do preço dos produtos chineses, mas ainda assim eles permanecerão competitivos, graças à infraestrutura existente. De qualquer forma, o país dispõe da força de trabalho capaz de fazer o que for necessário para competir favoravelmente com qualquer outro.
Para as empresas que desejarem exportar para a China (atenção Brasil!), a questão da publicidade e a existência de certas proibições que não são encontradas em outros países devem ser cuidadosamente avaliadas. Além disso, as questões culturais e as distâncias devem passar por minucioso crivo, tanto de importadores como de exportadores.

 

Evidentemente, caberá aos bancos verificar cuidadosamente se as exportadoras e importadoras que pleitearem financiamentos tomaram todas as precauções para avaliar todos os pontos citados. Com a gestão de riscos na ordem do dia face aos últimos incidentes de percurso com muitos bancos pelo mundo afora, nada mais adequado do que lembrar às instituições financeiras brasileiras que todo cuidado é pouco.

 

 
 
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