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Colunistas > Fernando Pinto de Moura  |
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Como é importante a boa imagem de um presidente – em especial a do mais poderoso do mundo – para todos respirarem com mais tranquilidade. Mesmo sem manter todas as suas promessas de campanha, Barack Obama conseguiu realizar boa parte do prometido nos seus primeiros 100 dias de governo, através de ordens executivas como, por exemplo, o fechamento da prisão de Guantánamo, a liberação das pesquisas com células tronco, a autorização para cubanos residentes no EUA visitarem livremente Cuba e enviarem dinheiro para seus parentes, entre outras. O que fazer com os presos de Guantánamo é outra história, pois as prisões estaduais americanas se opõem a recebê-los para não se tornarem alvo de ataques terroristas.
Enfrentar a crise econômica mundial não é fácil para ninguém, principalmente para o presidente do país onde tudo começou. A sorte, por um lado, é que ele não teve responsabilidade pelas causas, mas, por outro, vai ter que ser o responsável pelas soluções. A aprovação de um programa de estímulo fiscal sem precedentes, o apoio à indústria automobilística e aos bancos, precisam dar certo para arrefecer a queda no nível de emprego e manter a confiança da população e do mundo.
Até o momento, as pesquisas de popularidade vêm mantendo o presidente Obama em alta, com 45% acreditando que o país está no rumo certo, contra 15% quando assumiu, 70% gostam dele como pessoa e 60% acreditam que está fazendo um bom trabalho. De uma maneira geral, portanto, a imagem do novo presidente é sólida, mas as preocupações com o terrorismo, com o desemprego e com a fraca atuação do Congresso permanecem. A economia vista de modo mais positivo não livra os Estados Unidos da recessão atual e existem analistas julgando que seus efeitos serão maiores dos que os projetados.
Na área externa, a percepção é muito positiva e em todos os países visitados, o presidente Obama foi recebido de forma carinhosa, deixando a impressão de haver agora um presidente americano que tem mais respeito pelo mundo. No entanto, àqueles que imaginavam um presidente pouco combativo no tocante aos assuntos de guerra, ele demonstrou determinação através do bombardeio ao Paquistão, para atingir milícias Talibãs, aumentou o esforço de guerra no Afeganistão, ao mesmo tempo em que retira tropas do Iraque.
Internamente, a postura do candidato de defender o protecionismo, mudou para uma posição mais liberal em relação à China, pois criticava os chineses por manipularem a taxa de câmbio para incentivar exportações. Em relação ao NAFTA, imporia maiores controles sobre a mão de obra e meio ambiente, mas tudo deve continuar como está. Mesmo assim, tem mostrado liderança no tocante ao meio ambiente, porém sem explicitar o que pretende fazer e o impacto que pode ocorrer no custo interno da energia. Há outros exemplos de manutenção da liberalidade nos tratados de livre comércio com a Colômbia, Coréia do Sul e Panamá (em estudo), embora o Congresso e os sindicatos estejam forçando o governo a mudar seu posicionamento.
É importante salientar que a conferência de Doha e a redução das tarifas de importação de produtos agrícolas os quais interessam a todos os países emergentes, só terão sucesso com a participação efetiva dos Estados Unidos por sua representatividade no comércio mundial. Na realidade, a participação efetiva de todos os países do primeiro mundo será de extrema importância, pois a maioria mantém subsídios agrícolas prejudiciais aos países emergentes, em muitos casos impossibilitando que minorem os efeitos da pobreza e da miséria.
A lua de mel vai continuar? Tudo dependerá da postura do Presidente Obama, de seus discursos e, sem dúvida, das ações que irá tomar. Agradar a todos será impossível e sua promessa de realizar os próximos 100 dias em 72 dias, traz esperança para aqueles que confiam em sua gestão e precisam se recolocar no mercado de trabalho.
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