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NOS RUMOS DO NOVO MERCADO

 

 

 

Fevereiro de 2010

De um lado, a tecnologia em acelerada transformação, especialmente no que coincide com os novos canais de relacionamento dos bancos com seus clientes. De outro, as transformações no perfil do mercado, ou seja, destes clientes.

Estas são variáveis diante dos estrategistas dos bancos brasileiros, ao projetar orçamentos de TI. Não há hipótese de se desprezar uma inovação em comunicação com os clientes, sob pena de ficar à margem da concorrência. Estamos, ainda, na fase de se valorizar o mobile banking - cada vez mais sofisticado. Mas sem descuidar das pesquisas e ensaios para o uso provável da interatividade da TV digital.

As ATMs constituem outro ponto de análise Há uma forte base instalada e ainda uma dúvida sobre se é o caso de usar a máquina de auto atendimento como ferramenta de marketing, cada vez mais sofisticada mas cara, ou de se compartilhar as máquinas e seu respectivo custo - e, nesse caso, ampliando a rede com muito maior velocidade.Tudo indica que o caminho adotado será o do compartilhamento, formando-se diversas redes - os maiores bancos ficando com redes mais sofisticadas e restando aos demais redes mais simples.

Outra questão relevante que desafia os planejadores é o perfil mutante do mercado: há um crescimento mais acelerado da renda das classes menos favorecidas - e o fato novo é que elas estão descobrindo o caminho para os bancos. Paralelamente, as pequenas e médias empresas estão se tornando ativas - e talvez a disseminação da TI possa explicar o aumento de sua competitividade. As dúvidas convergem para pelo menos um ponto em comum: há necessidade de uso mais intensivo de TI pelos bancos. Certamente há outros pontos pacíficos, como a necessidade de um acompanhamento sistemático da conjuntura e da busca de elevação de escala de produção.


O BRASIL NO OLHO DO FURACÃO


ANTÔNIO FIGUEIREDO FILHO (FIGÃO)
coordenador da reunião

O Brasil está no “olho do furacão”, depois desta crise onde o mundo foi pego se saiu muito bem, assim como o sistema financeiro. O Bradesco, por exemplo, apresentou resultado extraordinário, de oito bilhões de reais de faturamento no ano de 2009. Numa economia que não é uma potência como a dos Estados Unidos, por exemplo, é algo muito significativo. O ano de 2010 está chegando com fantástica perspectiva de crescimento e o sistema financeiro é vital para fomentar isso.

Neste debate vamos discutir a maneira com que a tecnologia pode para contribuir para esta transformação. O sistema financeiro terá que incorporar outros ingredientes, pois é uma arrancada muito grande e não sabemos se o pessoal, do ponto de vista de capital intelectual, está preparado para isso. Acredito que sim, mas podemos colocar ingredientes ainda melhores, que contribuam para o aumento da eficiência.

O senhor Kamitaka deixou o grupo Martins há pouco tempo, um grupo extremamente respeitável no mercado brasileiro. Com sua experiência em tecnologia na IBM, quero que exponha o que acha do cenário atual e de que maneira os bancos podem aproveitar melhor as oportunidades.


AS OPORTUNIDADES


KIMITAKA IVAMOTO,
consultor de TI para bancos

Tomei a decisão de deixar o Grupo Martins em março do ano passado, por razões pessoais. Uma das questões que pensava na época era se o momento que tomava esta decisão era adequado. Em seguida veio a crise, quando percebi que o momento era extremamente oportuno, pois crises são sempre oportunas. O melhor momento para sair e, no meu caso, montar uma consultoria, era aquele.

O Brasil é um país onde o meio de pagamento pré pago é incipiente e isso apresenta grande oportunidade no caso do México, camadas mais baixas dos Estados Unidos, Índia e, provavelmente, China. Cartão pré pago ou meios de pagamento eletrônico também são uma grande oportunidade no Brasil. Sou conselheiro de uma empresa na área de logística e uma questão importante neste contexto é a do frete, um mercado de 60 bilhões de reais por ano. Existe um veículo antigo e inadequado, chamado “carta frete” e grande oportunidade de trabalhar neste sentido.

A Visa lançou o “Visa Card” recentemente, o que gera oportunidade no mercado de crédito. Toda esta questão vem a reboque da tecnologia, onde é preciso dar ênfase aos processos, com grande nível de automação para sustentar este tipo de operação. Este projeto de lei foi apresentado na última segunda feira (25 de janeiro) e deverá revolucionar o mercado de frete, até hoje marginal, num país com cerca de um milhão de caminhoneiros que vivem fora do mercado formal. Existe interesse governamental, das empresas, embarcadores e destinatários por um elo de logística forte e automatizado. A automatização do processo de frete eletrônico será, sem dúvida, assunto muito comentado e trabalhado, e representará muitas oportunidades de negócio para o mercado financeiro como um todo.

ANTÔNIO FIGUEIREDO FILHO (FIGÃO)
coordenador da reunião

Você colocou alguns pontos importantes de ação, quebrando alguns monopólios, no sentido de agilizar a infra-estrutura, para que comece realmente a funcionar e sustentar este crescimento.


INVASÃO DA BAIXA RENDA


JULIO SANTOS,
diretor da VSData

Gostaria de destacar que a inclusão bancária está trazendo muitos correntistas que estavam fora do mercado. Realmente está ocorrendo melhor distribuição de renda no país. Uma classe que não usufruía dos bancos está sendo inserida, milhões de contas estão sendo abertas. Resumindo, o dinheiro está mudando de mãos. Esta questão gera elevado aumento pela demanda de TI , o que proporciona novas oportunidades para todos. O banco, naturalmente, precisa olhar pra esses clientes de forma diferente dos tradicionais.

ANTÔNIO FIGUEIREDO FILHO (FIGÃO)
coordenador da reunião

Ano passado o governo fortaleceu muito os bancos estatais no fomento de financiamentos ao mercado. As instituições privadas se retraíram em função do risco que estava no entorno e, por outro lado, se fortaleceram. A fusão do Itaú com o Unibanco é um exemplo disso. Portanto, os bancos estão mais robustos nesta direção, no sentido de investir, ter mais capilaridade em seu canal de captação, chegar mais perto dos clientes potenciais.

JULIO SANTOS,
diretor da VSData

O varejo é uma demanda que está sendo vista pelos bancos. As redes de lojas têm crescido imensamente e precisam oferecer crédito, assim, os bancos necessitam de soluções para atender este mercado.


TELEFONIA MUDA O PERFIL


CLAUDIO PEDONE,
presidente da CP Consultoria

Percebo hoje a enorme convergência entre tecnologia bancária e tecnologia de telefonia celular.O MVNO (mobile virtual network operator) significa alguém ter o conteúdo sobre as ações financeiras de uma empresa como a SERASA, e passar a oferecer este conteúdo em outro formato, comprando Air-Time de outra operadora, desta forma o perfil do mercado, de uma forma geral, começa a ser modificado. Hoje existe a preocupação por parte dos bancos em usar o Mobile Bank em grandes projetos, principalmente em meios de pagamento através de celular. Existe resistência por parte dos profissionais de tecnologia das empresas de telecomunicações, que não querem assumir o papel de banco, mas começam fazer parcerias muito fortes, como Vivo e Itaú, por exemplo.

ANTÔNIO FIGUEIREDO FILHO (FIGÃO)
coordenador da reunião

Acredito que a história caminhará para os sistemas de cartão pré-pago. A própria sociedade vai requerer isso e os bancos terão que disponibilizar este tipo de serviço.


EDUCAÇÃO FINANCEIRA


ALFREDO PINHEIRO,
diretor da Compass

Falando em tecnologia bancária, se olharmos o que está acontecendo hoje em termos de comunicação veremos que ninguém mais fala em cinema, televisão, celular, mídia impressa. Existe um termo novo no mercado chamado transmídia, que significa a divulgação do mesmo produto e conteúdo em mídias diferentes. Eu enxergo que existe tecnologia para tudo isso, o que falta é conteúdo.

Hoje nós temos enorme gama de tecnologia, passando inclusive pela internet, cuja utilização ainda é extremamente pobre. Os bancos sempre tiveram papel preponderante no uso de tecnologia, mas acredito que ainda não enxergam que o próximo degrau não é tecnologia com o mesmo conteúdo, mas sim a mesma tecnologia com novos assuntos. O que falta nesse contexto chama-se educação. Não estou falando em caridade, mas se pegarmos todos os “não bancarizados” e clientes “infiéis” dos bancos veremos que, com um pouco de educação financeira, esta figura pode se reverter . Está crescendo muito o uso do banco por parte da população, mas não é por causa de nenhuma injeção de dinheiro no bolso das famílias e nem pelo enorme crescimento da economia. Acredito que a grande diferença é que a capacidade de entendimento da população está mudando. Esta questão ainda não foi vista pelos bancos.

Existe uma experiência muito interessante no Brasil sobre educação financeira, chama-se expo Money. Um congresso que acontece uma vez por ano na cidade de São Paulo e em diversas capitais do país. A Expo Money é um evento em que o foco é, basicamente, educação financeira. Os corretores participam para ensinar ao público como realizar aplicações. Mensalmente os organizadores enviam Newsletters aos participantes, dando informações e realimentando o sistema de educação. Uma iniciativa bastante interessante. Os bancos “trasmidiáticos” deverão ter conteúdo, o canal já existe, o que falta é assunto.


NOVOS PRODUTOS


GABRIEL MARÃO,
presidente da Perception

Os bancos até agora utilizaram a tecnologia para a redução de custos, garantindo rentabilidade. A cultura das instituições bancárias, que talvez comece a mudar agora, não é de desenvolver produtos. O pré-pago, por exemplo, está no meio termo e os bancos talvez ainda estejam avaliando se vale à pena ou não. Dentre o que eu tenho lido, principalmente com relação ao mercado americano, a maior preocupação é a respeito da fidelização do cliente, pois o custo de aquisição de novos clientes é alto, sendo mais barato manter aqueles que a instituição possui. Vejo que no Brasil os bancos ainda não perceberam este custo a ponto de investir em tecnologia voltada para esta questão. Com base no que o Alfredo falou, com relação à educação, acredito que é necessário um processo de retomada de autonomia dos gerentes, competindo-lhes habilidade de decisão para exercê-la.

CLAUDIO PEDONE,
presidente da CP Consultoria

Inteligência de negócios é conseguir transformar a base de clientes em potencial de ganho. Isso interfere em vários sistemas e nem sempre os bancos, assim como as empresas de uma forma geral, conseguem ter uma visão única de cliente, o que é um grande desafio. Business intelligence atualmente é apenas um jargão.


VANTAGEM DA INOVAÇÃO


PAULO MARCOS,
diretor da OGI Tecnologia

Existe uma solução que está sendo implantada no mercado, que permite a utilização da base de dados de forma que a empresa consiga fidelizar seus clientes. Atualmente, com tanta tecnologia e mobilidade, devemos nos aproveitar disso para fazer valer aquilo que consideramos importante para a base de dados. A Ogi Technologies criou uma tecnologia, através da qual conseguimos ter interatividade e comunicação com a base dados. Esta interação acontece através de um download feito pelo cliente, sobre o qual o banco já sabe o perfil, quanto investe etc. A partir daí a instituição começa ter algumas informações como, por exemplo, o próprio cliente definir o tipo de informação que gostaria de receber. Com base nestas informações, o banco manda ao cliente aquilo que ele deseja. Esta interação banco – cliente traz como conseqüência a fidelização. A instituição bancária terá uma resposta a respeito do interesse do seu público, pois o software permite esta rastreabilidade.


RFID CHEGANDO


EDUARDO KAMIGAUTI,
sócio da K2TEC

O serviço de busca que todos nós conhecemos do “Google” já existe há mais de cinco anos. Agora a Google está colocando à disposição um serviço de busca visual que funciona da seguinte forma. O usuário tira uma foto de qualquer objeto e a imagem é digitalizada pelo software da empresa, que pesquisa aquela imagem e as informações relativas a ela através do site. Este exemplo é para ilustrar o fato que até a digitação está condenada. Outra questão que tenho percebido é o barateamento dos custos de tecnologia. Uma etiqueta de RFID, por exemplo, há três anos atrás custava cinco dólares , hoje nós temos etiquetas vendidas nos Estados Unidos por sete centavos de dólar. Atualmente o uso de RFID se viabilizou para qualquer coisa, do pãozinho ao carro, ou mesmo para controle de pessoas.

O aumento da utilização de internet e celular, assim como da utilização de cartões de crédito, elevam a demanda por várias soluções que estão agregadas a este contexto. Uma das soluções que não se falava há pouco tempo era da cobrança recorrente. Não se pensava nisso, pois as pessoas tinham seus cartões de crédito com limites de mil ou dois mil reais e o valor da compra ficava bloqueado, retornando à medida que fosse pago. Uma compra de 200 reais, por exemplo, é impactante para um cliente com 300 reais de limite. A cobrança recorrente veio para isso, ao invés do banco cobrar dez parcelas do valor de 200 reais, cobram-se 20 reais todos os meses.

Falando um pouco sobre pré-pago, acredito que seja uma questão de cultura. Todo assalariado deveria entrar em seus meios de pagamento e fazer a alocação do dinheiro que precisa para utilizar naquele período, até que tenha novo crédito de dinheiro. Na telefonia celular, por exemplo, ficou muito simples o cliente ter um chip pré-pago e decidir o quanto irá gastar naquele mês. Este sistema tende a se expandir para tudo, inclusive para o mercado de varejo. O cliente passa ter maior controle e isto é viável em função da estabilidade da economia.

O Brasil virou “a bola da vez”, pois passamos muito bem pela crise e temos demonstrado crescimento econômico. Todos sabem que o país precisa de infra-estrutura pesada e que esta precisa ser melhorada sempre. Outros pontos que servem de alavanca para o país são Copa do Mundo e Olimpíadas, onde a quantidade de investimentos alocados é muito grande. E, com certeza, serão a Copa do Mundo e as Olimpíadas da tecnologia.

ANTÔNIO FIGUEIREDO FILHO (FIGÃO)
coordenador da reunião

A economia do Brasil passou muito bem pela crise e tem demonstrado um crescimento muito forte. Todo mundo sabe, que o Brasil precisa de uma infra-estrutura pesada e que precisa ser cada vez mais melhorada. E as empresas estão de olho nisso. Outro ponto, que está fazendo com que essa alavancagem aconteça muito rápido é a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A quantidade de investimento alocada para esses dois projetos é muito grande. Essas olimpíadas vão ser as olimpíadas da tecnologia. E a tecnologia que congregue as tecnologias. Cláudio Pedone. As empresas, cada uma no seu segmento tem que se apressar para se juntar, para justamente poder atingir essa grande massa local ou global que virá para o Brasil. E há uns anos atrás, nos sistemas, ninguém conversava com ninguém. E quem não conversava, ficava em situação de aperto.

EDUARDO KAMIGAUTI,
sócio da K2TEC

A nossa empresa, em função dessas análises mercadológicas desenvolveu o sistema de último ano de análise de risco para instituição financeira e para seguradoras. E com a entrada das camadas menos favorecidas no sistema, será preciso maior cuidado. A gente desenvolveu um sistema de risco pra isso, que entre no BPM normalmente, e desenvolvemos uma parceria com uma empresa que aderiu a esse sistema, que é a Estado da Arte (SP), a qual está se expandindo pelo Brasil, fora isso, todo esse lado de tecnologia RFID, a gente tem um sistema de identificação por micro plaquetas, específico do mercado de seguradoras, que identifica desde simples produtos até um carro como um todo.


PRODUTOS PARA MICRO


JOSÉ SAMPAIO,
representante da Vitria

Depois de passar por vários locais e empresas e aprender vários negócios, entre os quais o fato de como é que se oferece micro crédito especificamente a classe baixa, uma vez que a população pobre é a que mais cresce. O modo de fazer o atendimento à classe de renda baixa é um dos maiores desafios de uma empresa. A população pobre tem suas necessidades amarradas em ciclos, então o primeiro ciclo dessa população pobre deveria ser considerado como gênero de primeira necessidade.

A Vitrea é conhecida no meio da tecnologia, por ser uma empresa que fornece software de integração, a qual ao longo dos anos foi mudando sua história. Hoje, a empresa se orienta a BPM, em cima do conceito de gerência de eventos. É uma empresa americana que tem centenas de desenvolvedores chineses, mas ela, no gerenciamento de eventos, ela tenta agregar valor nas exceções. O que a Vitrea entende é que todo processo é regra, é onde se administram regras. Se tudo fosse regra, bastava um único sistema.

No caso, a gente desenvolveu dois grandes temas em cima da gerência de eventos. Um, orientado ao outsourcing de processos, nos quais agregam-se serviços de crédito. E o segundo é o que chamam de singularidade. Singularidade é o tempo que leva uma demanda a ser atendida. Sob esse aspecto da singularidade, ter um processo que seja auto-administrado, um sistema que permite uma rápida tomada de decisão e, que encurte a entrega de uma determinada demanda, que ainda não exista, ou seja, que não foi pensada ainda. Como é que isso acabou sendo reproduzido no mercado brasileiro? A Vitrea tem um cliente, que desenvolveu uma solução que vende gás via SMS com crédito. Tem- se uma operadora de crédito como a Pago, que faz uso de crédito via celular. E tem-se inúmeras empresas que são operadoras e micro operadoras de gás em botijão. O que acontece, é que imaginávamos que por ser um objeto de inovação, que talvez houvesse um tempo de maturidade para aquilo.

O tempo de aderência ao consumo dessa plataforma foi de um dia: lançou-se num dia, e no outro já começou a ser usado. Foi feito também um piloto num bairro em Fortaleza, do qual, em um dia começou a ser consumido, com 15 dias foi feita propaganda e está hoje na produção há oito meses, sem propaganda, e ainda assim, o consumo só aumenta. O que significa isso? Talvez, a junção de fatores, entre os quais, em primeiro lugar está o acesso ao crédito.

Uma empresa que não tem o lucro de bilhões de reais, tem que pensar numa forma diferente de fazer a mesma coisa, de modo a poder usufruir do benefício daquele mercado. Tal experiência mostrou o seguinte, que uma senhora de 85 anos comprava gás de uma outra operadora só porque ela recebia um brinde.. E, hoje, ela só compra via SMS. O ciclo de entrega é muito curto, porque através da plataforma da própria Vitrea, nesse caso, a qual agrega BPM com gerenciamento de eventos, o ciclo de entrega é cada vez mais curto. Essa mesma empresa, hoje está começando a fornecer serviços delivery de remédio, dentro dos aspectos legais, que são muitos para se fazer esse tipo de comércio. Num todo, os serviços da empresa são estendidos ao uso intensivo, que visam melhorar a experiência humana.

Hoje se reúnem cinco grupos de empresas, só para a questão do fornecimento de gás. E o tipo de desenvolvimento demandado para isso, nessas empresas, foi zero. Não houve intromissão de nenhum banco grande. Porque, um dos problemas de um banco grande é achar que as tecnologias podem resolver tudo a custos mais baixos. Ao pensar no quanto se vai gastar com uma determinada tecnologia, no caso, do cartão de crédito com chip, deve-se primeiramente pensar no quanto se pode perder com a clonagem e no quanto poderá ser o gasto com o sistema todo.

O que explica o fato dos EUA não ter aderido ainda ao uso deste serviço. Uma decisão desse porte é demorada, pois um banco grande, diferentemente de uma agência de banco, precisa de tempo para instalar a base de ATMs, que para colocar o cartão com chip dentro, tem-se que alterar tudo. Tem-se um custo, que normalmente não é pensado quando envolve tecnologia, não se pensa na base instalada. Nesse ponto de vista, as tecnologias que são vendidas para bancos, tem que apontar para algum ganho. Mas, no geral, é importante que se tenha alguma economia contra aquilo que se estaria fazendo, e também ter fôlego financeiro para incrementar novos acessórios a um respectivo produto, dos quais poderão resultar em diversas transações. Acredito que tenha que ter inovação e ajuda em fazer medidas, ajudar o banco a tomar consciência do quanto pesa, para depois usar as ferramentas necessárias.

ANTÔNIO FIGUEIREDO FILHO (FIGÃO)
coordenador da reunião

Até complementando a questão da fidelização dos clientes e a oportunidade que temos de auxiliar os grandes bancos, principalmente nesse processo, é que com o aumento de crédito, a tendência é que haja outro lado, que é a necessidade de cobrar cada vez mais o cliente. E a gente entende que esse espaço de cobrança, é um momento muito importante para a fidelização também, onde o cliente está num momento delicado e que precisa ter a situação resolvida. Uma vez que o banco contém todas as informações do cliente, é fundamental que este saiba como lidar com a clientela.

GABRIEL MARÃO,
presidente da Perception

O grande problema de hoje, o qual envolve tecnologia, é que a qualidade do serviço bancário caiu, e a oferta de produtos que eles fazem para atrair o cliente é enorme, a ponto do próprio banco não saber mais o que tem. Está chegando num ponto em que o banco tem que fazer um levantamento e ver tudo o que possui, até para se organizar. Existe muita tecnologia em um banco e cada um começa a desenvolver alguma coisa dentro do respectivo departamento, não sendo proliferado e não é tido do conhecimento de tudo e nem de todos. Isso se aplica tanto para os clientes, quanto para internamente. Acredito que hoje em dia, o banco tem desafios muito fortes em termos de consolidar a tecnologia e fazer uma oferta que seja um pouco menor. Mesmo que isso possa prejudicar mais os bancos de varejo grande. Julio Santos

O banco de varejo já nasceu varejo, que apesar de ter sido segmentado, continua atendendo o público por igual, sem atender ou entender as respectivas necessidades de seus clientes. E esse é um problema que perdura até hoje. Antes de tudo, deve-se pensar no quanto teremos de benefício ao utilizarmos certas tecnologias bancárias, e no quanto teremos de prejuízo. Com isso, deve-se avaliar também o uso e a quantidade de determinado cartão de crédito. E esse é o maior desafio daqui pra frente, pois não adianta ter cartões em excesso e não conseguir gerenciá-los. Wittel




 
 
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