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Mesa Turismo

ÉTICA VAI ATRAIR VISITANTES

 

 

 

Fevereiro de 2010

A garantia de procedimentos éticos por parte das diferentes empresas da área de viagens corporativas foi a motivação para que as duas principais entidades deste segmento decidissem se fundir. A fusão foi feita à sombra de um programa de rigorosa defesa da ética, inclusive com a criação de um selo garantidor deste procedimento, a ser utilizado por empresas que cumpram exigências de correção.

Na mesa redonda sobre viagens de negócios promovida por BANCO HOJE participaram estas e outras entidades que coordenam agências de viagens, promotores de feiras, hotéis, locadoras de veículos, e o São Paulo Convention Bureau. Nesta reunião a presidente da rede Blue Tree, Chieko Aoki declarou a decisão de lutar pela ética no mercado de viagens é a medida mais importante para o fortalecimento deste segmento empresarial. Os eventos esportivos internacionais programados para os próximos anos no Brasil atrairão muitos milhares de visitantes, alguns dos quais vêm pela primeira vez e poderão ser conquistado para novas visitas, estabelecendo assim, um fluxo de viajantes constantes, em benefício do país.

Ética deve ser a ferramenta principal para a fidelização dos viajantes - eles devem se sentir seguros ao fazer uma reserva, contratar um grupo, a hospedagem e o transporte. A reunião foi presidida pelo presidenbte do FAVECC, Francisco Leme da Silva, com a ativa participação do vice-presidente da TMC Antônio Cubas de Souza. A fusão das entidades está em processamento.

O interesse maior desta nova entidade é ter um selo que proporcione maior credibilidade junto ao cliente e aos funcionários. Deveremos ter um conjunto de processos dentro desta entidade que facilite a avaliação pelo fornecedor, pelo cliente ou até mesmo pelo funcionário que nós empregamos.

FRANCISCO LEME DA SILVA,
presidente do FAVECC

Com a mudança da presidência da TMC começamos a conversar sobre a criação de uma entidade que não fosse sucessora nem do FAVECC nem da TMC, para evitar erros do passado. Porém, desejávamos uma gestão com governança corporativa e, para isso, chamamos algumas empresas de consultoria, das quais escolhemos a Deloitte para elaborar o projeto. Formamos um comitê com membros das duas entidades para elaborar o projeto em conjunto com a Deloitte, este trabalho foi concluído no fim do ano de 2009.

Criamos uma entidade com um tipo de governança completamente diferente do que vimos hoje no Brasil. Esta é uma entidade que nasce forte, reunindo os 15 anos de experiência do FAVECC com os cinco da TMC. Haverá um executivo exercendo o papel de interlocutor da entidade, embora continuemos com a assembléia como órgão maior da entidade. A entidade criada a partir desta fusão nasce com regulamento, estatuto e código de ética. Neste primeiro momento nem todos tem condições de fazer parte desta nova entidade, esta á a grande verdade. A entidade vai nascer do comitê que trabalhou em conjunto com a Deloitte e é formado por pessoas físicas que irão convidar as agências, tanto da FAVECC como da TMC, a fazer parte da entidade. Realizaremos assembléia para eleição do corpo diretivo.

Somos partidários da idéia de termos a união do nosso negócio, porém, sem deixar de respeitar a ABAV, afinal, se trata da maior entidade em nosso segmento. Desejamos mostrar ao mercado que estamos unidos, que aquelas agências que trabalham com mercado corporativo tem sua força, enfim, estamos falando de uma entidade que nasce de oito bilhões de reais.

ANTONIO CUBAS DE SOUZA,
vice-presidente da TMC

Pertenço às duas entidades e percebo que a diferença entre elas é extremamente tênue, pois as duas têm o mesmo propósito. Corroboro com o Francisco sobre o esforço em fazer esta unificação, pois o interesse é justamente somar. O interesse maior desta nova entidade é ter um selo que proporcione maior credibilidade junto ao cliente e aos funcionários. Deveremos ter um conjunto de processos dentro desta entidade que facilite a avaliação pelo fornecedor, pelo cliente ou até mesmo pelo funcionário que nós empregamos. As boas práticas das duas entidades foram somadas e o objetivo está muito claro neste projeto realizado entra a Deloitte e o comitê de análise, pois a finalidade era criar um conteúdo processual, trabalhar mais tecnicamente em cima de uma organização que dará uma resposta ao mercado. A resposta ao mercado é justamente a qualidade que queremos imprimir em nossa indústria. Eu, como diretor de empresa, preciso saber como ter referencial de qualidade. Nossa indústria nasceu da informalidade e agora precisa ter profissionalismo em último grau.

Com a unificação da FAVECC com a TMC quem ganha é o cliente, a própria indústria, o fornecedor, o funcionário. O cerne da questão é dotar de qualidade o mercado, disseminar esta informação para que qualquer empresa ou cliente possa decidir por um fornecedor validado, que existe uma base de credibilidade, honestidade e conceitos bem definidos.

EDMAR BULL,
presidente da ABAV-SP

Falando da Governança da entidade, terá um diretor executivo contratado, um conselho com presidente e mais sete cadeiras, divididas da seguinte forma, uma agência global, uma grande, uma pequena e uma média, estas quatro já estão definidas. Os outros três membros serão eleitos. Esta organização garante representação total. Trabalharemos muito na parte de treinamento, qualidade, qualificação, enfim, o trabalho é muito grande, com projeção para até 2015.

FRANCISCO LEME DA SILVA,
presidente do FAVECC

Além desta representação das agências dentro deste conselho e isto é válido por dois anos. O conselho diretivo será constantemente renovado. Além disso, terá um comitê de ética, onde definiremos o que realmente queremos, pois o objetivo é que a entidade seja referência dentro deste mercado, não apenas no Brasil, mas na América Latina. Temos grandes empresas no país com escritórios regionais sediados aqui. Olhamos não só a referência no mercado de viagens corporativas no Brasil, mas também na América Latina e esta questão também está contemplada no projeto.

CHIEKO AOKI,
presidente da Blue Tree Hotels

É interessante como o bom senso sempre preserva, pois as entidades estavam separadas e agora, com a fusão das duas, se ganha muito. Esta entidade terá força e influência, não apenas em negócios, mas no comportamento e no modo de ser de uma entidade de turismo. Do ponto de vista macro esta questão é bastante importante.

Falamos aqui em ética e governança e acredito que estes quesitos irão influenciar outras entidades. Não apenas para as entidades, mas para as pequenas empresas, que precisam de orientação e capacitação neste sentido.

Para nós, do ramo de hotelaria, esta fusão entre FAVECC e TMC é muito importante. Estive em um evento com participação de Guido Mantega, Henrique Meireles e empresários, onde todos falavam de cenário positivo para o Brasil. Apontaram uma agenda crescente, com dados sólidos sobre o mercado e suas perspectivas. Com isso, acredito que esta nova entidade terá uma influência ainda maior.

Com esta visão positiva do mercado, nós do ramo de hotelaria devemos oferecer qualidade e excelência, pois aí está o “norte” de nosso turismo. Por outro lado as empresas buscam maior custo-benefício, analisando quais as qualidades essenciais e quais são os fatores dispensáveis no atendimento. No meu entender, o mercado é um pouco arbitrário, pois não existe de maneira clara o real custo-benefício. Seria benefício para toda área de turismo se pudesse melhorar um pouco esta relação de tarifas, pois se “apertar” demais, as contas não fecham, por mais que se realize uma excelente gestão e as empresas acabam oferecendo apenas o indispensável. Se os hoteleiros têm força de influência sobre como deve ser o mercado, não gostaríamos de vê-lo pobre, mas próspero para todos os setores.Nenhuma empresa se recusa a pagar um preço justo.

FRANCISCO LEME DA SILVA,
presidente do FAVECC

O FAVECC e a TMC mostraram ser entidades muito mais profissionais que políticas. Esta nova entidade trará este profissionalismo, confirmando o papel de referência que ocupa. Acredito que este negócio deve ser bom para os dois lados e os espertos de plantão sairão perdendo, pois o profissionalismo estará acima de tudo, esta é a nossa obrigação. Mesmo que seja uma entidade que está nascendo hoje, com 29 associados, somos o “espelho” para milhares de agências. Dentro do FAVECC éramos 25, pois ali o importante nunca foi quantidade. Nós temos obrigação de elaborar treinamentos, mostrar como deve ser operado. É fundamental para nós que o mercado esteja preparado.

ANTONIO CUBAS DE SOUZA,
vice-presidente da TMC

O cliente sempre pagou de maneira camuflada, pois os fornecedores buscavam, especificamente, comissão. Com a nova estruturação mercadológica mundial passamos a ser remunerados pelo próprio cliente, e a indústria não soube explicar isso ao mercado, o que atrapalhou muito, pois o fornecedor teria que baixar constantemente as tarifas; os intermediários, gestores deste serviço, precisavam também precificar e baixar da mesma forma, as tarifas, causando forte desvalorização destes serviços. O próprio cliente às vezes não consegue enxergar a qualidade dos serviços prestados dentro do hotel ou do avião, o quanto se consome e o quanto custou para fazermos a reserva, contabilizar, apresentar relatórios e atendê-lo.

O objetivo é fazer com que as indústrias geradoras de serviço consigam suportar a pressão por preço e qualidade, para que a qualidade não caia em prol da competitividade de mercado. Existem outros componentes que, da mesma maneira, derrubam a qualidade dos serviços. Em um serviço de aeroporto, por exemplo, qualquer empresa que preste serviço para executivos paga muito, e este serviço não é valorizado. O cliente tem uma pessoa para fazer o check in, que poderia ser feito online, outra pessoa no balcão para providenciar tudo para ele, resumindo, tudo isso requer custo, mas ninguém quer paga-lo. Não é questão apenas de negociação, mas de valorização dos custos. Cabe à entidade que estamos fundando a explicação destes custos.

ORLANDO DE SOUZA,
presidente do Conselho Curador do São Paulo Convention Bureau

A entidade que está sendo criada agora chega ao setor com um objetivo muito importante, que é de colocar o interesse coletivo sobre o interesse individual. Isto é uma tendência mundial e as entidades devem ter esta questão em comum. Se o mercado for monitorado pelo interesse individual de cada empresa estará sempre sujeito a esta briga feroz de disputa, que se baliza simplesmente pelo preço. A entidade tem papel corporativo e função de proteger as empresas do governo, assim como regulamentar o mercado, ao qual o coletivo passa ter maior importância que o interesse individual.

CHIEKO AOKI,
presidente da Blue Tree Hotels

O governo pode facilitar ou dificultar, mas quem faz a transformação é o conjunto de empresários, com uma força de oito bilhões de faturamento que o setor tem. A forma com que a entidade atuar vai influenciar até as pequenas empresas, que vão se interessar em ter um sistema de gestão em suas empresas. Estão todos empolgados com o crescimento do mercado, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Admito que estivesse preocupada, sem saber se tínhamos capacidade para administrar tudo isso, mas tendo a força dessas entidades unidas e olhando para fatos tão importantes, que não se repetirão tão cedo. São eventos do século! Acredito muito no empresariado e em sua força de criação.

CHIEKO AOKI,
presidente da Blue Tree Hotels

Participei de conferências organizadas pela Deloitte nos Estados Unidos e Japão e acredito que a escolha pela consultoria desta empresa foi muito acertada, pois as pessoas são focadas em consultoria internacional e a seriedade com que trabalham é muito grande. Acredito ter sido um importante passo dado ao início desta nova entidade que está surgindo.

JOÃO CLAUDIO BOURG,
presidente da ABLA

Primeiramente quero dar os parabéns pela criação da entidade, que servirá exatamente para que os empresários tenham tempo de cuidar das suas empresas e não da representatividade daquele segmento. O turismo é lido politicamente no Brasil da seguinte forma: quem paga a conta viaja de segunda a sexta, o resto é brincadeira. O governo brasileiro não tem esta leitura, pois isso não é popular, mas devemos deixar claro que temos força e trabalhamos em conjunto.




 
 
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