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Antônio de Castro Figueiredo Filho (Figão), Consultor e Membro do Conselho Ogi Technologies |
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Área de negÓcio vai decidir investimentos em TI
Maio de 2009 |
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A crise deve fazer com que os bancos adotem predominantemente, o critério de busca de retorno imediato, nas suas opções de investimentos em TI. Esta é a posição de suas áreas de negócios, em contraposição do posicionamento das áreas de tecnologia, que defendem investimentos em infraestrutura. A mobilidade está sendo vista como avanço número um para os próximos 5 anos em diversas empresas. A preocupação com a tecnologia está voltada, também, para o Cloud Computing e o Software as a Service, que foram assuntos também tratados nesta mesa redonda.
A mobilidade é um fenômeno irreversível. O celular, com as diversas utilidades que possui, vai ser agora uma alternativa de linha de pagamentos também. Como já existem tokens que rodam em celular, fica perceptível que a tecnologia está suficientemente avançada para abranger a mobilidade. Falta apenas um modelo de negócio a fim de disponibilizá-la.
A novidade trazida pelo moderador desta mesa redonda, Antônio Figueiredo (Figão), é que o homem de negócio vai ficar com 50% do budget de TI, nos próximos anos. Ele não foi o único a opinar sobre assunto. Para Juarez Zortea, da HP, as empresas têm de melhorar o balanço entre manutenção e inovação. Tendo em vista que grande parte do budget de TI das grandes corporações é utilizada na manutenção do legado tecnológico.
Hoje, segundo Marcelo Kamigauti, é possível ter correspondente bancário no comércio e em meios de transporte, através de um dispositivo dedicado, que é um PDA. A solução de mobilidade na Coréia se viabilizou quando a telefonia celular foi aliada à RFID. Os jovens fazem parte da maior parcela do público que utiliza esta tecnologia integrada.
Participantes:
1. Antônio Figueiredo (Figão), moderador dos debates
2. Jõao Lo Ré Chagas, executivo da Itautec
3. Paulo Tabarelli Valente, consultor
4. Juarez Zortea, VP comercial da HP
5. Eduardo Marin de Mattos, diretor da CPqD
6. Tadeu Vani Fucci, presidente da Cimcorp
7. Carlos Alberto Ferreira, diretor de Marketing da Infoserver
8. Eduardo Kamigauti, diretor da K2Tec
9. Mucio Dória, consultor
10. Roberto Luiz Arouche de Toledo, gerente da Spring Wireless e Consultor da Positioning
11. Nancy Yamaoka, gerente Comercial da Montreal Informática
12. João Cirilo Miedzinski, sócio-Diretor da Controlbanc
13. Alfredo Pinheiro, managing Director da Compass
14. Carlos Fagundes, diretor da Integral Trust
15. Paulo Martins, diretor Comercial da Logica
ANTÔNIO FIGUEIREDO (FIGÃO), moderador dos debates
Ter uma mesa redonda com o tema Cloud Computing e Software as a Service seria limitar. Tratar do assunto mobilidade abrange estes aspectos, e o debate pode ser mais extenso. Por isso, esta reunião vai abordar o contexto da mobilidade. Na Gartner, a mobilidade é o scan de tecnologia número um para os próximos 5 anos. Em segundo lugar, está o Software e o Hardware as a Service, nos quais diversos deles dão ênfase e profundidade à TI verde, ou seja, sustentabilidade.
Ao mostrar estágios diversos de aprofundamento sobre sustentabilidade, me chamou a atenção que o homem de negócio vai gastar 50% do budget de TI, nos próximos anos. A área de negócio vai ser a responsável por comandar o budget de TI.
Tudo que citei remete ao desafio dos CIOs, hoje, das instituições financeiras, que é avaliar se a capacidade de negócio vai ter que ser mais elástica, em função da economia. A economia, por sua vez, está volátil. As mudanças organizacionais das estruturas estão em processo de mudança a todo momento, e o CIO tem que se adaptar a isto. Se a área de negócio falar que mobilidade é o ponto-chave, as organizações vão mudar. As empresas vão, então, deixar de ficar nos escritórios e vão para rua, que é onde os negócios se encontram. O reflexo observado é que os recursos computacionais vão ter de abandonar, pouco a pouco, o Glass House e os grandes Datacenters.
Caso precise ir à Amazônia, vou ter que buscar um fornecedor local para buscar informação e conteúdo para fazer negócio. Como atendo um business como exportador, tenho que me aproximar do negócio e do cliente. Cloud Computing é uma quebra de paradigma por conta da informação e da sensibilidade que remete e como é possível se proteger de fraudes. A análise de dados vai ser utilitário. Vai estar disponível a todos a análise de dados. Os aparelhos móveis vão crescer ainda mais, passando até mesmo as estações de trabalho, nos próximos anos.
No dia 20 de maio, uma estatística foi publicada com a informação de que, nos últimos 6 meses, a queda de venda de computadores, no Brasil, foi de 47%. Não sei se isso é conclusivo ou não, em função da circunstância econômica, mas há sinais relativos a isso. Claramente, percebe-se que os 4 “C”s estão forte, são eles: comunicação, conteúdo, colaboração e comunidades se integrando para fazer negócios.
EDUARDO KAMIGAUTI, diretor da K2Tec
A Motorola é uma grande implementadora de tecnologia. A empresa é o grande nome em termos de mobilidade, de comunicação wireless e de sofisticação. Apesar de ultimamente não estar tão bem, principalmente no mercado de celulares, mas nada que não possa ser justificada pela crise.
A consolidação das redes 3G tem gerado novos direcionamentos para os próximos anos. Tenho, na minha casa, uma rede de wireless de 4 megas. Não utilizo mais esta rede, deixo para o meu filho. Utilizo o 3G, além do cabo USB, e o aproveitamento é praticamente o mesmo. A diferença está na mobilidade, claro que depende do local ter mais tráfico ou menos. Com a rede 3G consigo transmitir imagens, ver vídeos do site de compartilhamento YouTube, ainda que não seja em alta resolução. A tecnologia 3G está se disseminando pelo país. Existem compromissos e a Anatel está cobrando para que isto aconteça. A tecnologia 3G dá base de tecnologia para implementar o network ou o wireless para passar as informações que precisa.
Em função da crise e das empresas que investiam dispositivos de wimax portáteis, a tecnologia ainda não está disseminada. O telefone wimax ainda não está sendo disseminado na velocidade que deveria ser.
É sabido que o que gera redução de custo e incremento de tecnologia é volume. Quando falamos em computador, estamos falando de um mercado brasileiro, esse ano, previsto para R$11 milhões. A perspectiva, contudo, é anterior à crise. E quando falamos de celular, no ano passado, foram 65 milhões de aparelhos. Isto promove a colocação de cada vez mais funções dentro dos equipamentos celulares. A novidade é o token que funciona dentro do celular. Hoje, já temos televisão, TV digital, acesso à internet, mas tem um problema: é um celular. Ele foi criado para se falar, para se comunicar.
Hoje, com a tecnologia existente, é possível ter correspondente bancário dentro do ônibus, do metrô e de um evento, através de um dispositivo dedicado, que é um PDA. O PDA é um computador de bolso semelhante ao usado em residências. A diferença é o tamanho reduzido, com leitor de cartão, de tarja magnética, e acessando em tempo real e online as aplicações bancárias. Este tipo de dispositivo vai proliferar também. O mercado americano teve uma queda de venda de notebooks. O netbook, no entanto, lançado recentemente começou a crescer no ano passado. O lançamento de um processador de baixíssimo consumo e custo baixo pela Intel, chamado de Aton, colaborou para este crescimento. Outro fator positivo foi a Microsoft ter colocar o Windows Xp a um custo mais baixo que o Windows Vista. Fora o fato de a tecnologia, o tamanho e as funcionalidades terem alavancando.
Hoje, podemos comprar o netbook dentro de uma loja da Vivo já com o 3G embutido e com plano de transmissão de dados ilimitados. Mas esta tecnologia é para executivos. Os funcionários de bancos e de seguradoras que precisam estar na rua precisam de um dispositivo mais dedicado. Até para que não se cometa erros na ponta que possam afetar o sistema como um todo.
JOÃO CIRILO MIEDZINSKI, sócio-diretor da Controlbanc
A meu ver, a tecnologia do telefone celular se dá paradoxalmente. Ela é uma solução a busca de um problema. O brasileiro tem, em média, mais de um celular. Aliado a isto o canal de solução de comunicação do banco está disponível, mas esta mobilidade é um problema. Nas aplicações, por exemplo, o problema é prático de só ter tela pequena. Comparado aos computadores, observa-se que eles têm telas mais fáceis de enxergar do que a tela do celular. A não ser que a gente dê um salto tecnológico em que o celular projete uma tela, isto se configura em um problema. Do lado do negócio, o banco resolveu os problemas que tinha com o Home Banking. Quando o cliente está em casa utilizando o computador e tem algum problema prático, ele pode ligar para o Call Center do banco via telefone. Falta ao banco resolver os problemas práticos do dia-a-dia.
O banco não tem um grande estímulo econômico para criar soluções baseadas na mobilidade, como houve há anos para tirar o banco da agência. Na época, os bancos foram inteligentes ao passar o custo de tecnologia ao cliente. O cliente é que compra o computador e o aparelho de celular. O banco ficou responsável apenas por vender o serviço.
ALFREDO PINHEIRO, Managing Director da Compass
n A grande questão é quanto negócio a mais a mobilidade pode gerar. O Antônio Figueiredo, o Figão, comentou que estamos frente a uma nova realidade em que as áreas de negócios dos bancos, ou seja, o usuário final da tecnologia vai mandar mais e gastar mais que a área de tecnologia em si.
Mas faz necessário lembrar que isto é pendular, já aconteceu com a descentralização, com a recentralização. E é um movimento que leva a uma benéfica desorganização em busca de objetivos de negócios maiores ou atendimento de necessidades não satisfeitas pela ditatorial burocracia do CIO ou da área de informática. Ditatorial burocracia não quer dizer que o CIO seja mais ditador ou não. O fato é que houve um momento de escape brutal, ninguém mais usava mainframe e servidor.
Todos usavam o computador pessoal. Nas empresas não foi diferente. Cada área de negócio começou a comprar diversos computadores. A tecnologia é um vírus cancerígeno que se mistura às áreas de negócio. Até porque, hoje, a informação em si, aquilo que é tratado pela tecnologia é o core business do banco. Queria além de corroborar a fala do João Cirilo, também contestar a ideia de que estamos diante de um fato novo. Na verdade, não estamos. Isto é pendular. Deve ocorrer, além de ser benéfico que ocorra. Quais são as necessidades de negócios que podem ser atendidas e ainda não se descobriu? Ou quais são as novas formas de negócio para as quais a tecnologia pode aportar alguma coisa? Acredito que seja importante responder estas questões.
É imprescindível que os equipamentos tenham integração, capacidade de comunicar-se. Esta função é dos CIOs, da área de TI. Estas áreas precisam trabalhar para criar uma unidade entre as interfaces. O Renato Cuoco, ex-diretor de TI do Banco Itaú, falou, em palestra, que para fazer um sistema os dois analistas demoram 3 dias, mas para fazer um sistema que fale que todos os outros que já existem pode demorar 3 meses.
CARLOS FAGUNDES, diretor da Integral Trust
A partir da colocação do João Cirilo Miedzinski de que o telefone celular é uma solução a procura de um problema, queria inverter a questão. E quem sabe abrir outro tema em que usaríamos o celular como alternativa de linha de pagamentos para pequenos valores. Dessa forma, seria possível fazer a bancarização de cidadãos que tem pouca capacidade de usar transações tradicionais no meio bancário. Para as classes mais baixas da população não participam da bancarização porque o custo para manter uma conta bancária é elevado. O celular é um meio de estendermos democraticamente aos excluídos bancários os serviços tradicionais do banco. O celular vai ser outra forma de lidar com o dinheiro de maneira mais virtual. Por meios virtuais, a troca de papel moeda é inexistente, ainda que seja possível fazer grandes transações.
A tecnologia da carteira eletrônica dentro de um celular é, hoje, dominada. É interessante o fato de que a posse de um telefone celular com capacidade de comunicação é capaz de fazer transferências com segurança. Mais interessante ainda é pensar que a tecnologia está disponível para 90 milhões de celulares, aproximadamente. Nota-se que esta fatia da população é maior que a quantidade de contas correntes existentes.
O atual momento é de discussão e apresentação de projetos acerca de transferências eletrônicas. Inicialmente, pensávamos no uso do celular para pagamento de pequenos valores como oportunidade para as companhias telefônicas. Mas o celular está surgindo como business novo com boa oportunidade de desenvolvimento.
JOÃO CIRILO MIEDZINSKI, sócio-diretor da Controlbanc
Acredito que exista, hoje, uma barreira cultural em relação ao monopólio dos cartões de crédito do credenciamento. Envolvido neste assunto, há um tema complexo que é a rede de captura como fonte de receita. O Banco Central está discutindo, a expectativa é que a instituição tome providências a respeito. Se você romper esse monopólio, o celular vira fonte de autorização e captura. No momento em que este monopólio for rompido, o cenário atual muda.
CARLOS FAGUNDES, diretor da Integral Trust
Já debatemos sobre esse novo meio de pagamento. Não estamos inventando nada. Já existe a tecnologia via mecanismos disponibilizados por uma carteira eletrônica, um celular. Na perspectiva da autoridade, não houve resistência ou barreira legal. Falta agora implementar e colocar o projeto em funcionamento.
PAULO TABARELLI VALENTE, consultor
O Chile foi o primeiro país a bancarizar fortemente a população de baixa renda. Há três anos, eu trabalhava na Sun e fiz um trabalho que chamamos de utilização de meios tecnológicos para a área financeira. Até, hoje, existem pessoas com dificuldade de usar uma ATM, aqui no brasil. O varejo tem apenas 30% que usa o Internet Banking. E no classe Premium, apenas 70%. O restante da população não utiliza por temer efetuar equívocos ou por não confiar.
ANTÔNIO FIGUEIREDO (FIGÃO), moderador dos debates
A empresa de consultoria Gartner enfatizou que os scans de tecnologia são para os jovens. Estes scans vão estar na agência e nos convencionais também. Como a população mais velha costuma rejeitar, de certa forma, a tecnologia, a ideia é que o foco passe a ser a população de faixa etária menor.
PAULO TABARELLI VALENTE, consultor
n Começou a ter clonagem de token. Se vocês não perceberam ainda, tentem fazer transferência grande, acima de mil reais, vocês vão perceber que a operação trava. Acima de mil reais, o token tem de ser usado.
JOÃO LO RÉ CHAGAS, executivo da Itautec
Nada se cria, tudo se copia. As coisas que já existiam ganham nova roupagem. Então, a tecnologia é dada um nome bonito e se diz que é novidade. Há 30 anos, por exemplo, quando a Itautec estava desenvolvendo a solução online, o enquanto presidente Olavo Egydio Setubal questionou Carlos Eduardo Fonseca quanto à centralização dos sistemas da Itautec, quando nota-se que os sistemas dos concorrentes eram distribuídos. Carlos Eduardo Fonseca respondeu que o cliente é do banco, e não da agência. E completou dizendo que onde o cliente estiver, ele vai poder acessar o sistema não só na agência dele. Isto é o que, hoje, chamamos de mobilidade. Como o saldo está em um único lugar, com backup e segurança no cloud computing, então, os sistemas foram crescendo, novos canais foram aparecendo, assim como novas ATMs, Internet Banking, banking por telefone etc.
Na semana passada, quando estava em um evento, precisei fazer um TED (Transferência Eletrônica Disponível) de R$ 40 mil. Então, sentado assistindo a uma palestra fiz a operação. Após dois minutos a minha gerente telefonou, alegando que havia uma operação minha de um IP que eu não costumava usar, mas eu confirmei. Logo depois o destinatário me ligou informando que o dinheiro já estava na conta dele. Eu havia cadastrado o destinatário em um dia e, no dia seguinte, realizei a operação.
Portanto, é perceptível que a infraestrutura está preparada, assim como os sistemas estão preparados para a segurança. Mas é claro que, quando o assunto é segurança, nunca podemos deixar de averiguar o andamento. Em termos da mobilidade do celular, o caminho é sem volta. Hoje, principalmente, os jovens podem sair de casa sem chave, sem documentos, mas não sem celular. Como meio de pagamento, o celular vai ser, sem dúvida, um instrumento para pequenos pagamentos e também para os grandes pagamentos dentro da estrutura bancária.
O micro pagamento não pode depender de uma comunicação com a companhia telefônica. Ele tem de ser autorizado por tokens que rodam no próprio celular. As soluções de comunicação, como bluetooth que independam de uma comunicação com uma companhia telefônica, tornam a transação viável economicamente. Faz-se necessário, portanto, que estes caminhos sejam buscados.
EDUARDO MARIN DE MATTOS, diretor da CPqD
Compartilho da mesma opinião de que a mobilidade é irreversível. A facilidade de possuir a disponibilidade de qualquer ação na palma da mão é interessante. Os jovens não apresentam dificuldades em lidar com tecnologia. A grande barreira que existe no mercado é a distância entre a operadora telefônica e o banco. Existe um modelo de negócio ainda não definido. Acredito que dificilmente não vai haver uma operadora de telefonia no meio de uma operação. Existem algumas tendências da rede wireless. Existe uma operadora preparada, mas tem a faixa pública, e essa sim tem diversos investimentos sendo feitos e estudados.
No momento em que investimentos estiverem aliados ao mercado financeiro, mais operadoras de telefonia vão se expandir, principalmente para o Norte e Nordeste. Esta problemática constitui-se como a maior dificuldade hoje. No Sul e no Sudeste, vivemos um ambiente estável de telecomunicações. As instituições financeiras estão preparadas para o mercado das redes de wireless. Talvez não tenham buscado ainda como negócio, mas as tecnologias estão preparadas. A TV digital juntamente com o celular vai ter um link para explorar. Nesta linha de mobilidade, se inclui uma série de outros players.
JUAREZ ZORTEA, VP comercial da HP
n O caminho da mobilidade, a tecnologia e os componentes estão disponíveis. Falta apenas adotá-la. Um modelo de negócio deve ser criado a fim de disponibilizá-la. O foco tem de ser que tipo de desenvolvimento de tecnologia queremos para o novo mundo. O mesmo ocorre com a inclusão digital. Ela está implementada no mercado brasileiro. E apesar de as escolas terem computadores, eles não são usados. Isso porque o professor não tem preparo e técnica, além de o Estado não ter trabalhado neste âmbito.
O ensino e a inclusão digital são informais, visto que estão alinhados à capacidade de aprendizado de cada pessoa. O uso de tecnologia distribuída segue o mesmo padrão. Ela tem uma adoção rápido, mas se utiliza muito pouco da capacidade do potencial da tecnologia já disponível, que depende de um esforço cultural. Por ano, A HP investe 3,7 bilhões de dólares, aproximadamente, em pesquisa de desenvolvimento. Antes os investimentos eram voltados a criação novas tecnologias. Hoje, investe-se em novas tecnologias para que sejam aplicadas ao cotidiano das pessoas.
Grande parte do budget de TI das grandes corporações é utilizado na manutenção do legado tecnológico. Isto pode ser observado, inclusive, na própria HP, tomando-a como usuária de tecnologia. Observamos, com isso, um paradoxo. Como vai haver desenvolvimento do uso das novas tecnologias, se ainda há manutenção neste legado? As empresas têm de melhorar o balanço entre manutenção e inovação. A necessidade de inovação visa a desenvolver novos serviços, e hoje o ciclo de desenvolvimento de novos serviços dentro dos bancos é muito longe. Justamente porque tem que conviver uma tecnologia que não está habilitada para o novo serviço, já que não integra no dia-a-dia a forma que de se fazer gestão.
Existe, também, uma necessidade de integração, de inteligência, de entender a vida útil do cliente. É necessário que haja investimentos no desenvolvimento de padrões e de tecnologias que possam se adaptar às tecnologias existentes. Vencido este passo, é possível reduzir custo para se gerar espaço para o novo investimento. Com a tecnologia é possível diminuir custo, fazer gestão para softwares para fazer gestão da infraestrutura, além de poder desenvolver softwares para fazer gestão do serviço do mapeamento da transação. Neste momento, o cloud computing e as blades entram no mercado.
TADEU VANI FUCCI, presidente da Cimcorp
Para que as pontas tenham utilização completa das futuras tecnologias, é preciso se preocupar com a retaguarda, com os sistemas flexíveis, com os seguros e disponíveis. Uma das grande preocupações das organizações é ter uma boa governança na área de tecnologia para que possa verificar-se do que é feito, tanto em planejamento, como em desenvolvimento de novas aplicações e disponibilização de novos recursos. A fim de criar recursos financeiros para se investir mais, faz-se necessário fazer mais com a estrutura já existente. Para isso há uma série de tecnologia disponibilizada. Como, consolidações, virtualizações, sistemas de contingência e segurança, monitoração, sistemas de capacity plan.
A tecnologia é pendular. Ela não se renova, os conceitos sempre voltam. Quando saímos dos mainframes virtuais, caímos na distribuição, depois passou para os sistemas departamentais, que, posteriormente se consolidou. E agora o mercado está voltado às consolidações e virtualizações.
As empresas precisam conhecer a infraestrutura que possuem, ter bem documentado em um CMDB, e saber como planejar. Neste momento é que se pensa nos softwares as a service. Baseado nisto, temos um conceito novo que é infraestrutura como serviço, em que uma empresa fornece o hardware e o software e toda a ambientação.
O sistema de consolidação e virtualização tem trazido reduções visíveis no uso de energia. E, assim, se corrobora para a eficácia, inclusive. A maioria dos servidores não são utilizados mais do que 13% no pico. Esta estatística mostra que não é preciso possuir o número tão grande de servidores.
EDUARDO KAMIGAUTI, diretor da K2Tec
Em função da crise, os institutos internacionais estão buscando padronização na área de risco. Em agosto, vai ser implantada um ISO 31000 voltada para a área de risco, principalmente, risco financeiro. A ISO 31000 dá regras de como gerenciar os riscos e proteger-se deles. Diversas entidades estão criando iniciativas na área. A Susep, por exemplo, criou um check list para fazer avaliação de contratos e de sinistros. A Sybox está fazendo o mesmo para transações internacionais. A Sybox, no caso, não diz o que a empresa deve usar, e sim a qualifica melhor para quando utilizar a check list.
A solução de mobilidade na Coréia se viabilizou quando a telefonia celular foi aliada à RFID. No sistema de pagamento coreano, jovens e estudantes, principalmente, fazem pagamentos de valores pequenos e utilizam metrôs e ônibus com esta tecnologia. A tecnologia RFID veio trazer a facilidade da utilização da tecnologia. A pessoa passa em uma catraca que tenha um leitor, encosta o celular e a catraca é liberada. Todos os equipamentos da HP têm RFID na faixa de 900 MHz, sendo possível, com isso, rastrear a impressora e o computador. Mas essa tecnologia ainda tem que ser melhor disseminada.
CARLOS ALBERTO FERREIRA, diretor de Marketing da Infoserver
Trouxemos, no ano passado, o dispositivo de NFC para o Ciab. O momento é para saber quem vai lucrar com estas tecnologias que garantem mobilidade. Pode ser as operadoras de celular, por exemplo. A ideia vai ser mais disseminada quando uma empresa se disponibilizar a investir.
NANCY YAMAOKA, gerente Comercial da Montreal Informática
Pessoalmente, fui resistente ao uso do celular. Anteriormente, via o celular unicamente como fonte de ligações. Mas, hoje, utilizo para tirar fotos e fazer caminhos, através do Google Maps. Felizmente, as empresas estão investindo nessa área. Há alguns anos, não era possível imaginar um aparelho tão leve agregando tantas tecnologias. As tecnologias estão evoluindo e a capacidade delas aumentando, sendo possível fazer mais com um único aparelho. A tendência está nesta integração de tecnologias. A mobilidade das tecnologias é importante, hoje, visto que são capazes de facilitar o cotidiano das pessoas. Muitos funcionários trabalham sem saber onde vão estar no dia seguinte. Para fechar uma proposta, por vezes, é preciso saber o valor do dólar. Se o trabalhador não tem acesso á internet no lugar que está, ele pode, através do celular, buscar esta informação. Os jovens não sabem viver sem computador e celular. Os investimentos, em serviços, integração e tecnologia tem que ser ponderados a partir do público jovem. E daqui a 10 anos, eles vão ser os executivos do mercado fazendo os negócios.
Há 10 anos, não se falava em token e houve uma quebra de paradigma. Antigamente, as transações eram no banco e, hoje, raramente vamos a uma agência. Estamos falando em token e dificuldades em um aparelho de celular, mas quem garante que no futuro não será possível fazer por uma identificação biométrica? Antes, só falávamos isso em FBI. Hoje, já temos instituições com identificação biométrica. Existem muitas tecnologias ainda não tão acessíveis nos celulares, mas que em um futuro próximo vão estar com custo reduzido e menos pesados. E podendo ser usado como opções para facilitar a vida, integração e segurança.
PAULO MARTINS, diretor Comercial da Logica
A Lógica tem um Data Center e usamos as tecnologias de computação de forma intensa. No mercado brasileiro, a mobilidade do ponto de visto do dispositivo móvel está de certa forma resolvido. Por conta do mercado financeiro ser conservador, há uma resistê ncia a mudar aplicações atuais. Há diversos sistemas de bancos rodando há 20 anos. Isto dificulta que novas tecnologias entrem para facilitar a integração de aplicações na ponta, além de dificultar a integração de dispositivos móveis no Data Center. Existem bancos, hoje, que não conseguem um produto em tempo reduzido. Se a área de negócio pedir um produto, ainda que seja o mais básico, para a área de sistemas colocar na ponta é preciso esperar, no mínimo, 30 dias.
JUAREZ ZORTEA, VP comercial da HP
O grande ponto de evolução que está ocorrendo é o padrão aberto. Velho e novo convivem melhor juntos quando têm uma linguagem em comum. Fica difícil evoluir e adaptar quando ainda tem que romper com o padrão de tecnologia. Estamos em um mundo cada vez mais aberto, seja de comunicação, seja de desenho de tecnologia à aplicação. E as tecnologias têm de acompanhar isso. Sim, mas ainda há um ponto importante envolvido na questão que é poder ter adaptabilidade e fazer isso em um tempo possível. Há razões para não implementar a mobilidade. As pessoas mostram que para mudar o sistema de segurança ou a aplicação, precisa de mais recursos e eles não estão disponíveis no orçamento. É a questão de o business funcionar e ter velocidade para implantar a tecnologia.
PAULO MARTINS, diretor Comercial da Logica
Como ação comercial, fizemos um workshop com alguns bancos. E pudemos perceber que 2010 vai ser o ano do atendimento à governança. Para o orçamento do ano que vem, as instituições financeiras vão focar em TI voltado a atender o dispositivo legal, seja por implementação de uma regra da CBM, do Banco Central ou do Ministério da Fazenda. Em função da crise, teremos ainda mais novos requisitos legais.
ANTÔNIO FIGUEIREDO (FIGÃO), moderador dos debates
Quanto aos requisitos legais, temos que parabenizar o Banco Central pelo papel que teve no sistema financeiro. O que vimos de regulamentação no Brasil, não foi visto nos principais países desenvolvidos. Pelo contrário, só vimos países flexibilizando os controles, culminando na crise financeira mundial.
JOÃO LO RÉ CHAGAS, executivo da Itautec
A mobilidade pode ajudar nos interesses dos bancos. Os bancos têm uma preocupação grande com a fidelização dos clientes. Com os canais eletrônicos, com as transações por internet e telefone, a relação banco-cliente ficou distanciada. Passou a ser um problema criar formas de aproximar o gerente do cliente, criar vínculos humanos.
O cliente que por diversas vezes telefonou para o gerente e não conseguiu falar, por ele estar em reunião, o telefone ocupado, entre outros, hoje, pode ter tecnologias que evitem situações como estas. As tecnologias aliadas à mobilidade permitem que o gerente veja a ligação, e retorne, que a ligação se transforme em uma mensagem que vai para o computador dele, etc.
ANTÔNIO FIGUEIREDO (FIGÃO), moderador dos debates
A meu ver, temos uma diferença de choque de idades. As pessoas de mais idade têm mais tolerância na fidelização com o banco. A relação de fidelização com os mais jovens é transacional. Se um serviço do banco não serviu, ele muda de banco.
JOÃO LO RÉ CHAGAS, executivo da Itautec
Os bancos têm de usar a tecnologia para achar os mecanismos de se ligar ao cliente. Certos bancos estão adotando formas de se integrar mais ao comércio. Os representantes de bancos estão estudando artifícios voltados ao comércio, como o supermercado. A ideia é que no momento em que o cliente entra no supermercado, ele faça uma consulta do seu limite, por exemplo, e receba uma oferta do estabelecimento ou de um produto financeiro. A instituição faz uma análise do comportamento de compra do cliente, podendo, assim, saber exatamente qual é o hábito de consumo. Desta forma, o cliente nota que é uma oferta pessoal. Estes mecanismos visam a atrair o cliente e a manter vínculos de relacionamento. No Ciab, a Itautec vai mostrar algumas ferramentas voltadas à integração e à colaboração. Nesta linha, a instituição está lançando o netbook.
MÚCIO DÓRIA, consultor
A cidade de Tatuí tem a população de renda mais baixa toda cadastrada no sistema de saúde pela impressão digital. A implantação do serviço se deu sem dificuldades. O cliente fez o próprio cadastro.
A Aris Tecnologia, empresa que desenvolve equipamentos de autoatendimento, desenvolveu um equipamento para um determinado banco, em que era possível fazer a carga de cartão de transporte com touching. O novo equipamento foi colocado em uma estação de metrô e se analisou a reação das pessoas que passavam. Com o experimento, observou-se que as pessoas se mostravam curiosas e iam até o equipamento. Após alguns dias, havia fila no equipamento para fazer a transação. Os próprios indivíduos descobriram a utilização do equipamento.
ROBERTO LUIZ AROUCHE DE TOLEDO, gerente da Spring Wireless e Consultor da Positioning
Vejo utilidade para o segmento financeiro com a utilização do mobile. Com ele, o funcionário do banco que trabalha fora da agência tem a possibilidade de, em um PDA, acessar informações dos produtos, das ofertas do banco, das informações do cliente e, além disso, captar a informação no instante em que está ocorrendo. A mobilidade não serve para o cliente analisar um extrato em um celular, mas para ver a posição da ação da carteira dele, por exemplo. Ou mesmo para comandar compra ou venda.
Um banco da África do Sul chamado Wizz bancarizou a classe C e D utilizando celular. É um sucesso no país. A Colômbia e a Venezuela estão fazendo o mesmo. Hoje, o lojista pode fotografar um cheque e enviar uma imagem remota para fazer compensação, eliminando todo o risco de transporte, roubo e perda. Acredito que a grande barreira para o conhecimento de mobilidade para o setor bancário é o setor de TI. O setor de TI tem uma parte de segurança altamente relevante. Mas também acredito que os funcionários de TI têm um receio em pegar uma tecnologia que envolve telecomunicação e TI juntos.
ALFREDO PINHEIRO, managing Director da Compass
Nesta mesa redonda foi colocado que as tecnologias estão prontas. O que falta é apenas buscar a maneira mais prática, mais rápida e mais lucrativa de utilização da mobilidade para os bancos.
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