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Nori Lermen, Presidente da ATP |
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As tendÊncias da soluÇÃo brasileira de pagamentos
Maio de 2009 |
Em 1994, a National Clearing House Association dos EUA (NACHA) deu início ao desenvolvimento de projetos que visavam facilitar as transações bancárias. Um destes projetos era o electronic check (cheque eletrônico), cujo objetivo era a eliminação dos custos decorrentes da utilização do cheque de papel como os elevados gastos com transporte e segurança e o tempo da compensação, mantendo-o como meio de pagamento.
Também estavam embutidos neste plano tornar o cheque mais atraente para o varejo e criar uma nova opção frente ao expressivo crescimento da utilização dos cartões de crédito e débito.
Todavia, para que o electronic check fosse implantado na época, duas barreiras precisavam ser superadas. Uma delas era a da tecnologia, que na década de 90 não contava com recursos tão avançados para a visualização de documentos com alta qualidade. Limitações legais também foram um obstáculo. Em um primeiro momento, a imagem do cheque não foi considerada válida em termos jurídicos.
COMO NASCEU A TRUNCAGEM NOS EUA
A truncagem de cheques proposta pelos Estados Unidos era uma solução simples e positiva. O electronic check consistia, na verdade, no que se entende hoje por débito on line em conta. Para utilizar este serviço, o cliente precisaria apenas inserir o cheque em um caixa eletrônico. A máquina iria extrair do documento todas as informações pertinentes sobre determinada conta, mesmo procedimento da tarja magnética dos cartões e realizaria a autorização do débito. Em seguida, a máquina inutilizaria o cheque, carimbando-o com a palavra “cancelado” e o mesmo seria devolvido ao cliente. A partir de 98, esse produto avançou significativamente entre os meios de pagamento norte-americanos, já que vários bancos começaram a demonstrar interesse em aderir a iniciativa.
AS MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO
O Congresso estadunidense criou a Lei 21 (Check 21), legislação que tramitou por anos no governo e que propunha que a imagem de um documento (cheque) obtida sob determinadas condições teria a mesma validade que o documento em papel. Por sua vez, o documento em papel impresso a partir de uma imagem obtida em semelhantes condições voltaria a ter o mesmo valor. Após o atentado de 11 de setembro de 2001, o sistema de compensação americano entrou em colapso uma vez que ele era baseado em movimentação física, e a Lei 21 foi finalmente aprovada.
AS CONSEQUÊNCIAS DA TRUNCAGEM NOS EUA
A princípio, o objetivo da truncagem era apenas eliminar o trânsito do papel, mas os bancos perceberam que esta tecnologia englobava mais benefícios, como, por exemplo, redução de custos. Bancos privados de muitas cidades norte-americanas perceberam que com a tecnologia de captura de imagens eles poderiam realizar depósitos além de suas fronteiras. Surgiu, então, uma expressiva oferta pelo mercado, tanto de produtores de equipamentos como também de fornecedores de software, dando início ao remote deposit of check (depósito remoto de cheques). As indústrias italiana e canadense passaram a produzir scanners compactos e de baixo custo. O investimento foi tão alto que hoje já é possível comprar um kit de depósito remoto de cheques pela internet. Recentemente foi publicado um artigo sobre uma empresa americana que desenvolveu um produto específico para consultórios médicos. Através de uma pesquisa, constatou-se que 85% dos pacientes utilizam os cheques como principal meio de pagamento. A partir deste dado, um software e um scanner foram desenvolvidos para que os cheques pudessem ser depositados dentro do consultório com segurança e praticidade.
O FUTURO: CELULAR FARÁ FUNÇÃO DE CHEQUE
Transformar celulares e smartphones em produtos remotos de cheques parece ser a tendência para os próximos meses. A tecnologia das câmeras digitais nesses aparelhos está muito avançada, permitindo a obtenção de imagens em alta qualidade e fidelidade. Se a possibilidade de depósito de cheques chegar aos telefones móveis, uma nova gama de usuários vai passar a fazer uso deste artifício. O remote deposit of checks não se resume apenas a comodidade do depósito imediato e a economia que se faz através do uso desta tecnologia. Além dessas facilidades, a truncagem de cheques também oferece mais segurança para os comerciantes.
OS DESAFIOS DO CASO BRASILEIRO
No Brasil, segundo dados do Banco Central, aproximadamente 85% dos cheques são pré-datados. Se os donos de estabelecimentos brasileiros dispusessem da truncagem, muitos contratempos como o recebimento de cheques de contas já encerradas e cheques sem fundo seriam evitados. Ao ser introduzido o documento no aparelho remoto de depósito, a máquina avisaria a situação do cheque antes do negociante concretizar a venda. Em caso de assalto à loja, o prejuízo seria menor, pois os cheques já teriam sido descontados.
A implantação da truncagem no Brasil alteraria o modo de compra das pessoas e pressionaria Estratégia comercial dos cartões, diminuindo seus custos. A análise dos canais de distribuição de serviços dos bancos para os usuários mostra que em todos eles o cheque pode estar presente, ao contrário dos terminais de autoatendimento (ATMs), que não englobam uma série de transações. Em função da logística, muitas atividades bancárias, como o depósito de cheques, não acontecem fora das agências, já que não é compensatório para o banco percorrer caixas eletrônicos da região para resgatar os cheques que os usuários depositam. Assim como os bancos e os comerciantes, a truncagem dos cheques também oferece benefícios para os usuários. Um deles é o preço das tarifas. Se as instituições passam a gastar menos, as taxas bancárias pagas pelo cliente terão que ser menores. Outro benefício será a ampliação da oferta de mercado. Se o sistema der maiores garantias na verificação dos cheques aos donos de estabelecimentos, muitos locais que hoje só aceitam pagamento em dinheiro ou cartão vão passar a aceitar pagamento também em cheque.
TRÊS PASSOS PARA A TRUNCAGEM NO BRASIL
Para consolidar a truncagem de cheques no Brasil, o país precisa antes investir em tecnologia. Para isto, é preciso ter três pontos em mente.
• O primeiro é a necessidade da capacidade de software no terminal de caixa do lojista.
• O segundo é avaliar o custo-benefício para o comerciante que possuir um scanner no ponto de venda,
• Por fim a comunicação. O trânsito da imagem de um documento não pode ser feito por linha telefônica discada.
A soma desses fatores resulta no diferencial da solução brasileira. A solução americana restringe-se ao depósito remoto de cheques. A brasileira engloba a verificação.
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