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Gabriel Marão, CEO da Perception |
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Os Bancos devem prosseguir na trajetÓria que deu certo
Maio de 2009 |
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Sempre que pensamos nos bancos, em especial nos bancos brasileiros, pensamos no excepcional uso que eles fizeram e fazem da tecnologia eletrônica. Os bancos têm sido os grandes incentivadores do uso da tecnologia de comunicações e de informática. Mesmo antes da reserva de mercado no Brasil, os bancos eram os grandes clientes das empresas de informática de então. IBM, OLIVETTI, BURROUGHS tinham nos bancos os seus maiores clientes e tinham suas fábricas no Brasil, como uma maneira de conseguir mostrar a estes clientes conservadores e precavidos que elas eram firmas confiáveis e que estariam suportando os seus clientes no longo prazo.
A interligação entre as tecnologias de Comunicações e de Informática foi em grande parte forçada pelas necessidades dos bancos. Há 35-36 anos atrás estas áreas da tecnologia eram quase que totalmente separadas e ainda não se falava em juntá-las. Pois é dessa época que o Banco Itaú, então muito menor do que hoje e tendo em torno de 400 agências, desenvolveu um projeto para interligar duas grandes ferramentas que possuía. Na área de Comunicações possuía a maior central de terminais Telex do Brasil. Na área de Informática possuía o primeiro sistema brasileiro utilizando a mais avançada tecnologia de Banco de Dados da época, para a Gestão de Riscos de Clientes.
Numa época em que conseguir telefonar de uma cidade para outra e até dentro da mesma cidade era uma missão difícil, interligar estes dois sistemas permitia. Ao Itaú com o uso de tecnologia, como era então a sua característica, dar acesso ao gerente na ponta da linha, a uma decisão de aprovação de crédito dentro das normas rígidas de então. Também por essa época acabava de ser implantado o sistema de processamento de contas correntes centralizado, que obrigava a todos os documentos serem enviados todas as noites para a central de processamento de dados e para serem processados numa janela muito curta de tempo, pois o “Listão”, que era a posição atualizada do saldo de todos os clientes da agência, tinha que estar na agência no dia seguinte, antes da abertura das portas. Esta ligação da Central Telex com o computador central (na época era um só) permitiu outra coisa inimaginável: enviar o extrato ao cliente, na mesma noite do processamento. Assim, aqueles clientes maiores, ou seja, os que tinham terminais telex, podiam passar a receber o seu extrato bancário toda manhã. E assim começou uma corrida tecnológica entre o Bradesco e o Itaú. Corrida pela primeira agência online. Corrida pelas ATM’s. Corrida pelo Banco
Eletrônico e pelo Home Banking. Eles foram se alternando na liderança dessa corrida, e ambos foram vencedores. Tornaram-se bancos de porte internacional,com uma administração segura e excelentes serviços para seus clientes. Os outros bancos, em particular o Banco do Brasil, também entraram nessa disputa e mudaram o cenário bancário brasileiro.
Esta epopéia dos bancos brasileiros mostra como o investimento em tecnologia pode transformar o segmento em que você opera e fazer o próprio país ficar mais seguro. Alguém acredita que o SPB poderia ter sido implantado pelo Banco Central se não tivesse havido esta corrida de todos os Bancos em direção ao Banco Eletrônico? O Sistema Financeiro Brasileiro hoje é um dos mais modernos do mundo sem a menor dúvida. Há vários projetos em andamento para dar continuidade e consolidação a este processo. Um dos que está em processo de implantação no momento é o do Processamento da Compensação por Imagem e que é fruto desta já longa tradição dos bancos brasileiros de trabalharem em conjunto para reduzirem custos e oferecerem melhores serviços.
Bom, e para o futuro, o que julgamos que os bancos deveriam estar fazendo? Investir nas novas modas tecnológicas para ver se elas vão dar certo?
Os nomes da moda agora são “cloud computing”, “SaaS”, “virtualização”, “SOA”, “SLA” etc. Mas nunca foi investindo na tecnologia mais nova que os bancos fizeram tudo o que fizeram.Eles sempre foram em busca de uma solução para resolver o problema mais crítico que tinham em suas mãos no momento.
• Para crescer e aumentar a segurança de suas operações, implantaram computadores centrais;
• Para atender aos seus maiores clientes, implantaram sistemas de informações via telex e depois via fax e na seqüência computadores nos clientes, troca de arquivos em fita;
• Para aumentar o número de transações bancárias, introduziram ATM’s com números crescentes de funções;
• Para acompanhar a velocidade da inflação e conseguir sobreviver naquela época, investiram em comunicação por satélite e fibras óticas;
Ou seja, investiram nas tecnologias mais modernas que podiam resolver o seu problema na época. Nunca trocaram a estrutura dos seus computadores centrais. Até hoje os sistemas operacionais mais críticos de suas operações estão escritos em COBOL.
Mas ao mesmo tempo foram pioneiros no Home Banking mundialmente. O UNIBANCO conseguiu a façanha de ter Bill Gates fazendo propaganda na televisão para o seu home banking. A meu ver, os bancos devem continuar a fazer o que sempre fizeram, entender muito bem qual o seu principal problema e então investir pesado para solucioná-lo. Os bancos brasileiros sempre se esmeraram na formação das suas equipes. Em particular a formação tecnológica dos quadros técnicos sempre foi exemplar, com longos treinamentos no Brasil e no exterior.Qual seria o principal problema hoje? Em minha opinião ele está no fato de que ninguém consegue prever com clareza o que virá a ser o banco de amanhã. Nos últimos congressos da Febraban uma pergunta recorrente tem sido essa: como será o Banco daqui há 20 anos? Certamente ninguém acha que os serviços financeiros vão acabar, pelo contrário, eles vão estar cada vez mais inseridos no dia a dia da pessoa. Só que cada vez menos vamos perceber, pois do mesmo modo que, antes da invenção do cartão de crédito, o ser humano comum não sentia a falta dele e hoje utilizamos o cartão sem pensar na infra estrutura que há por trás daquela operação simples de passar o cartão, as novas tecnologias, sejam elas quais forem, estarão na realidade fazendo com que as transações financeiras passem cada vez mais desapercebidas pelo cidadão comum.
Assim acho que as discussões (embora válidas e importantes) se a segurança da transação será biométrica ou não, se os bancos usarão cloud computing ou não, estão longe de representar o principal problema dos bancos. Acompanhar as mudanças comportamentais e tirar o melhor proveito delas tem que ser a principal preocupação dos bancos. E eu tenho a impressão que os bancos brasileiros estão indo bem neste quesito. Eles estão investindo em melhorar e atualizar os seus recursos humanos e estão procurando estar presentes em todas as novas “modas” como IPOD, vidas virtuais, não para mudar toda a sua estrutura, mas para ter gente sua entendendo o que são e podendo trazer para dentro da organização uma idéia mais correta do que é aquela nova tendência e poder começar a oferecer novos produtos que fidelizem o cliente e reduzam os custos das transações. Assim, como organizações de serviços por excelência, o grande investimento tem que continuar a ser na formação de talentos e retenção de suas equipes dirigentes, bem como seus quadros de suporte e desenvolvimento.
GABRIEL MARÃO É CEO DA PERCEPTION - empresa do segmento de TI, com foco em autoatendimento e digital signage. Marão tem extensa carreira em empresas de tecnologia e bancos.
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