Editorial  |
A crise nÃo acabou, mas agora É localizada
Não devemos nos iludir com sinais positivos que apareceram em diversos aspectos da economia brasileira e pensar que a crise acabou. Não acabou ainda, mas os sinais indicam que seu efeito se torna diferenciado, conforme os segmentos da economia.
A crise deixará um rastro de sofrimento, mas algum saldo positivo na correção de procedimentos no caminho para uma sociedade melhor - países, empresas e consumidores mais responsáveis. O ponto mais importante é que a crise nos convoca a repensar verdades tidas como definitivas, tais como a aceitação de que a catedral da ciência econômica mundial não necessitava ser fiscalizada. Grande parte do desabamento da confiança no sistema financeiro global se deve à descoberta de fragilidades éticas dos guardiões desta catedral.
Simultaneamente com a crise financeira, o mundo sofreu com chuvas gigantescas inundando cidades em todos os continentes. Uma fúria que demonstra a necessidade de também ser repensada a relação dos habitantes do planeta com o meio ambiente. Por bem ou por mal, o mundo acabará se convencendo que deve dar mais ênfase à evolução quantitativa do que a obsessão do crescimento quantitativo da economia. É possível que essas enchentes nos convençam de que neste ritmo de crescimento quantitativo, a humanidade não chegará muito longe.
(Para maior esclarecimento, vale a pena ler nesta edição a coluna de Peter Knight, resumindo o Fórum Nacional, recentemente realizado pelo ex-ministro Reis Veloso no Rio de Janeiro)
Um dos segmentos que no Brasil está mostrando uma revitalização vigorosa é o mercado de capitais. Os investidores estrangeiros que, no final do ano passado, venderam em grande velocidade suas posições, derrubando assim as cotações, estão retornando e a Bolsa recuperou a posição perdida.
Tudo indica que teremos um período de fortalecimento do mercado, em sintonia com a recuperação das empresas no Brasil.
C A W
caw@bancohoje.com.br
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