VAMOS ALAVANCAR A IMAGEM DA T.I. BANCÁRIA BRASILEIRA: ANALISADO UM
Insisto na tese: .precisamos usar de toda nossa capacidade criativa para investir com mais eficácia na construção da imagem do país, como provedor de soluções modernas, baseadas na TI, endereçadas ao setor financeiro, esteja ele onde estiver. A FEBRABAN, com a realização do CIAB tem feito seu papel, em nome dos bancos brasileiros, promovido parte essencial da campanha para esta construção. Keynote speakers convidados, diversos formadores de opinião, líderes de grandes bancos internacionais, jornalistas especializados, e demais dirigentes de entidades financeiras, têm marcado presença no país durante os três dias do evento. O CIAB-FEBRABAN hoje desponta como um dos mais importantes eventos do planeta. Tem exercido papel disseminador do estado-da-arte das soluções brasileiras já aplicadas ao sistema financeiro do país. Tem se tornado evidente que, em algumas camadas das comunidades financeiras do primeiro mundo, o Brasil tem despontado como o mais avançado no mundo em sofisticação e efetividade dos sistemas de gestão das suas organizações financeiras.
Não menos importante, têm sido as publicações dos relatórios de entidades de pesquisa do setor, com citações sobre o posicionamento internacional de empresas brasileiras prestadoras de serviços se destacando no ranking internacional. O respeitável FINTECH, publicado anualmente pelo IDC-Financial Technology Insight, menciona no seu relatório 2009, três empresas brasileiras entre as 100 maiores provedoras de serviços de TI do mundo para o setor financeiro: ITAUTEC, CPM-BRAXIS e POLITEC. De forma semelhante, avaliando, porém, específicamente o mercado de serviços de outsourcing, a International Association of Outsourcing Professionals-IAOP, em seu “2009- 100 -The Global Outsourcing” aponta três brasileiras em posição de liderança, entre as 100 maiores: CPM-BRAXIS, TIVIT e Ci&T.
Pela primeira vez, em 2009 a SOFTEX, via seu agente em São Paulo, o ITS, em operação sob a égide da APEX-BRASIL, organizou um abrangente programa, que foi traduzido para visitantes estrangeiros como “EXPERT PROGRAM 2009”, com investimentos totais de R$200mil, consistindo em trazer ao Brasil executivos de primeiro nível de bancos dos EUA, Canadá, México, Colômbia e Chile, para virem ao Brasil, durante o CIAB-FEBRABAN, com todas as despesas cobertas com recursos da APEX-BRASIL, da SOFTEX e das empresas brasileiras interessadas em negócios com os referidos visitantes. Aqui estiveram dirigentes do Citizen Financial Group (EUA), Montreal Bank (Canada), Prosa (México), BBVA-Bancomer (México), ACH-Colombia, BICE-Chile e do BANAMEX-CITIGROUP (México).
Além de se encontrarem com 14 empresas brasileiras, pré-selecionadas, que puderam apresentar seus produtos, os visitantes tiveram a chance de percorrer diversos estandes do CIAB-FEBRABAN 2009. Foram ainda levados a visitar o SANTANDER, ITAÙ e a CIP-Câmara Interbancaria de Pagamentos – aí ganharam informações sobre a participação de fornecedores locais na mordenização dos sistemas de TI.
Visitantes qualificados, alguns formadores de opinião em suas regiões, conheceram, pela primeira vez, o que o país tem de mais avançado em aplicações da TI nas suas instituições financeiras. O que terá ficado em suas mentes a respeito do Brasil Tecnológico? Captamos alguns depoimentos:
“I think is a very good oportunity to know what´s happen in south america in technological solutions, and allow we to discover the good things that brazilian enterprises are doing”., Jeronimo Flores Rodrigues, BBVA. (México)
“Excellent oportunity to know new alternatives in IT terms, overall, when we show in country similiar conditions and opportunities”. Jose Luis Andrade Vera, PROSA (México)
“Agradezco muchissimo la invitacion y creo que esta iniciativa debiera hacerse em mi pais. Me levo mucha informacion util para mejorar el desempenõ y desarrollo em innovacion requerido para el Banco BICE...” Enrique Villaroel Arancibia, Banco BICE - Banco do Chile
SOFTEX-ITS e APEX-BRASIL começam desta forma colocar sua contribuição à construção da imagem do “BRASIL IT – Finance” no mercado global. Mas é uma imagem que deve frutificar em novas aproximações e negócios. Novas ações estão a caminho. Essas serão objeto de próximas inserções neste blog.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009 Por Descartes Teixeira
Não é tarefa trivial construir-se a imagem de nação, ‘player’ emergente em tecnologia informação, de forma a atrair a atenção e o interesse dos tomadores de decisão de compra nos mercados globais. A competição internacional recrudesce. As notícias espalhadas pelo mundo de que o mercado de terceirização serviços offshore veio para ficar, mesmo que enfrentando a crise econômica global, são um input fortemente estimulante para os newcommers. Desafios, porém, se aguçam para os que agora pretendem uma fatia dessa oportunidade.
O desafio para o Brasil, que quero aqui destacar, estaria na coordenação do que chamo “Marketing de Nação”, focado na aplicação da tecnologia na modernização de toda a economia, governança das instituições, justiça social e preservação ambiental. Como organizar nossas mensagens promocionais para mercados focais? Quem é nosso públicoalvo? O que de nós o públicoalvo precisa ver e ouvir?
Há muitos anos construímos e mantemos, no imaginário dos povos, a marca de um país de apreciados músicos populares, de jogadores de futebol, carnaval e das belezas naturais. O momento pede que divulguemos mais, outros valores – que temos conquistado graças aos esforços dos nossos talentos, dos investimentos em educação, pesquisa e desenvolvimento dos últimos anos.
Nossas mensagens, neste inicio de Séc XXI, de promoção da TI brasileira costumam ser focadas nas aplicações que, para nós mesmos, são as mais visíveis e consideradas as mais importantes. Esperamos com elas poder ajudar a ‘virar’ as cabeças de tomadores de decisão de compra, principalmente os do primeiro mundo, com olhares costumeiramente voltados para outros cantos do planeta, Índia e China principalmente. Estamos habituados a ouvir – quando estamos no exterior promovendo o Brasil a marca “BRAZIL IT”, nossas bem sucedidas aplicações da TI no processo eleitoral brasileiro, totalmente eletrônico; a declaração anual de Imposto de Renda (PF e PJ) atingindo a inusitada cifra de 99% dos cidadãos com IR a recolherem, via Internet, sem qualquer dificuldade ou insegurança, suas declarações. Não há discurso promocional nosso que não mencione esses dois cases de sucesso, entre alguns outros. Quando referência é feita aos sistemas bancários, nos orgulhamos de mencionar a liderança do Brasil, com seus sofisticados sistemas de automação bancária. Falamos da proliferação dos ATMs, facilitando o acesso dos clientes a uma gama de serviços sem igual no mundo, em qualquer momento e nos mais diferentes locais do país de dimensões continentais. Fala-se também, não com a mesma freqüência e profundidade, das facilidades oferecidas aos clientes, pessoas físicas ou jurídicas, pelos sistemas de transações financeiras interbancárias. Proclamamos, principalmente para americano ouvir, que nossos cheques podem ser compensados em algumas horas, independentemente das distâncias geográficas envolvidas na transação. Parece que gostamos de sentir uma ponta de orgulho ao perceber nossos interlocutores do norte meio perplexos com esses fatos.
Nossas mensagens de marketing de emergente player tecnológico, ainda são desestruturadas, insuficientes e pobres de indicadores econômicos que assinalem as vantagens incorporadas pelas soluções que temos no país. Apesar de todas as boas intenções de nossos comunicadores, penso eu, que falta-nos levar em conta o que nossos interlocutores internacionais, alvo de nossos futuros negócios que se pretende conquistar, precisam mais ouvir. De uma maneira geral, o costumeiro exercício de divulgar nossos casos de sucesso para o mundo não pode ser minimizado. Deve e precisa ser cada vez melhor trabalhado. O público de uma maneira geral precisa conhecer nossos casos de sucesso, na esfera do serviço público por exemplo. Trata-se de recado que ajuda a plasmar mensagem de um país que se moderniza pela adoção de modernas tecnologias. É um esforço, que tem seus méritos e é necessário. Mas não suficiente para os negócios que queremos realizar. Aqui focalizo o ponto central desta reflexão.
Nossos interlocutores internacionais, se homens de negócios, com poder de decisão nas organizações, são motivados para conhecer mais e melhor as vantagens que, como sociedade moderna, estamos auferindo com as inovações tecnológicas que nos valemos. Nossas aplicações tecnológicas estão alinhadas com a melhoria da produtividade, com a qualidade dos serviços entregues aos usuários finais, com a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento social, ... ?
Nossa mensagem não pode ser superficial, limitando-se a falar da sofisticação e elegância da solução realizada, mas não podemos deixar de ressaltar principalmente o quanto o país está economizando em seus processos administrativos públicos, nesta era de demandas de processamento massivo das informações, quando passou a usar da Internet para recolher as declarações do IR das pessoas físicas e jurídicas. Quanto passou a custar o recolhimento, apuração, validação do voto popular e relatório final com o resultado eleitoral emitido? Está agora o processo eleitoral mais ágil, econômico, seguro e confiável? Que vantagens, afinal, todas as nossas aplicações de sucesso trouxeram ao cidadão? Qual o custo do nosso processo eleitoral por eleitor. Quanto custava antes da adoção da eleição eletrônica? Indicadores nos faltam. Temos claro a ideia de que vantagens sempre surgem quando uma nova tecnologia – uma inovação afinal – é introduzida nos processos. Alguém ganha com isto. Mas nada detalhamos em nossos discursos.
Nossa mensagem promocional, insisto, precisa estar cada vez mais focada no que os homens de negócios estão buscando: vantagens, custos mais baixos, agilidade, riscos mitigados, etc...
O que poderia significar para eles, a adoção de uma tecnologia desenvolvida por brasileiros: diminuição de custos nos serviços que oferece aos seus clientes finais? Mais rápido lançamento de um novo serviço no mercado? Um diferencial no seu portfólio de serviços capaz de acelerar o crescimento da receita e ganhar marketshare? Suas operações, sejam elas quais forem, terão seus riscos mitigados, se adotada uma solução vinda do Brasil?
Estou consciente de que, construir nossa imagem, como centro de excelência na área da TI, insisto, não é tarefa trivial. Como também não é missão de governo, não é missão de empresas, de ONG’s nem de indivíduos. E de todos esses juntos – de alguma forma integrados. Também não estou advogando que nossa mensagem construtiva deva se limitar em esmiuçar as vantagens que temos experimentado com as aplicações aqui desenvolvidas.
Precisamos fazer muitas outras ações, para virar a imagem preconceituosa que do Brasil ainda se tem nas nações supra-equador. Falei aqui de um recado promocional, objetivando atingir mentes que decidem pela compra de produtos e serviços. Brasil pode ser uma alternativa atraente se aqui encontrem soluções vantajosas. Mas não somente essas boas soluções levarão à decisão. Vão contribuir positivamente. Mas, há outros fatores, ligados ao perfil da empresa, à cultura e conjuntura (social e econômica) do país, que considerarão antes da decisão. Sobre esses e outros temas, estaremos provocando o debate em nossas próximas mensagens. Por enquanto, fico aqui.
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quinta-feira, 21 de maio de 2009 Por Descartes Teixeira
Há pouco mais de uma década, o Brasil vem tentando exportar seus produtos e serviços intensivos em tecnologia de informação. Olhando para história recente, o que se vê são processos de ‘tentativa-e-erro’ concertados entre governo e iniciativa privada ou, então, iniciativas isoladas de verdadeiros heróis empreendedores. Os resultados, porém, são ainda modestos quando comparamos com o porte do mercado interno. Nossa balança de pagamentos em software, historicamente deficitária, prossegue a espera por tempos melhores. Nosso mercado interno está entre os dez maiores do mundo. Mas do montante pago em 2007 pelo software que ”roda” em nossas máquinas, 66% (em valor) foram fornecidos por empresas que os desenvolveram no exterior, segundo dados divulgados pela ABES em 2008. Daí não ser difícil se entender o histórico déficit que nos persegue no balanço comercial de software e serviços de TI. Verdade é que o setor de outsourcing (ITES e BPO) nacional tem boa presença no mercado interno, mas as nossas exportações ainda são modestas. Há alguns arautos otimistas que apregoam que já exportamos perto de US$1,3 bi em software e serviços em 2008, predominando aí os serviços de outsourcing. Não existem, porém, números oficiais capazes de respaldar a pregação.
Ainda não temos um plano estratégico de nação para ocupar uma fatia definida do enorme e atraente mercado global de software e serviços de TI. Fala-se, discute-se, estuda-se e escreve-se sobre o assunto, mas ninguém sabe onde queremos chegar. Que nação desejamos ser nesse segmento nos próximos, digamos, cinco anos? Alguns chegam a projetar o volume de nossas exportações nos próximos anos, mas para por aí nossa vocação de construtores de uma nova nação, da era do conhecimento.
No momento são discutidos os caminhos para promover a imagem do Brasil, como player no mercado do Séc XXI: mas player, bem entendido, do mercado global da tecnologia. Um esforço nacional neste sentido começa a se desenvolver sob a liderança da APEX BRASIL-Agência de Promoção das Exportações e Investimentos, www.apexbrasil.com.br - que coordena ações, locais e no exterior, de promoção das exportações como um todo, isto é, das mais diversas áreas das atividades produtivas, inclusive as intensivas em tecnologia. Os esforços para a exportação da TI brasileira, porém, têm sido realizados pela APEX em parceria com outras entidades, como a SOFTEX, BRASSCOM e ANPROTEC. Mas trata-se de apenas um componente de um esforço para projetar o país no mundo como um novo player
A exportação de software e serviços de TI, porém, contém um complicador adicional, real desafio gerencial: as nossas soluções exportáveis têm seus mercados de aplicações, como bem sabido, em todos os demais setores das atividades humanas. Exportam-se serviços e produtos de TI para setores de finanças, telecomunicações, educação, saúde, indústria, governo, comércio, defesa, energia e tantos outros. Cada um com suas características, suas culturas, modelos de negócios e porte econômico. A SOFTEX coordena um programa, o PSI-SW, com recursos da APEX-BRASIL, coordenando esforços de exportação de empresas brasileiras em 11 diferentes mercados verticais. Dentre essas estão reunidas cerca de 30 empresas especializadas no setor bancário, algumas das quais com fornecimentos a clientes da Europa, EUA e América do Sul.
A experiência vivida nos dias que correm, porém, evidenciam algumas dificuldades, que muito têm a ver com a falta de uma cultura exportadora, especialmente na área de produtos intensivos em tecnologia, como é o caso do software e serviços de TI. Poderíamos desfilar uma gama de dificuldades nessa primeira mensagem deste blog. Mas, para iniciar uma provocação, diria que uma das nossas dificuldades como nação para chegar junto a um “prospect” de fora e falar da excelência das soluções ou dos serviços de tecnologia oferecidos é o desconhecimento do Brasil como centro de excelência em tecnologia. Se necessário for anunciar a origem do produto ou da empresa, a fornecedora brasileira pode enfrentar um interlocutor cético, para não dizer desconfiado, a respeito do valor e qualidade do que lhe é oferecido.
Em 2008, coordenei no ITS-Agente SOFTEX em São Paulo, a realização de uma pesquisa de mercado do setor de finanças da Flórida. Foram entrevistados CIO’s, gerentes e tomadores de decisão de diversas entidades daquela região dos EUA. Dentre os CIO’s de bancos apenas 50% haviam ouvido falar do Brasil, como fornecedor de software para o setor. E ainda apenas metade desses mostraram-se dispostos a considerar uma entrevista com fornecedor brasileiro. Admito que esta é uma realidade que temos de enfrentar e saber trabalhar com ela: o Brasil ainda é um ilustre desconhecido player no mercado global de TI, não obstante em alguns segmentos empresariais – principalmente os das grandes empresas multinacionais – o país começa a ser reconhecido como um fornecedor em quem podem apostar.
Essa realidade a respeito da nossa imagem, ainda é desafio a ser tratado por todos nós, e não somente pela APEX e outros órgãos oficiais. Pretendo concentrar atenções nessa matéria nas próximas mensagens. Seus comentários serão muito bem-vindos. Até lá.