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José Jairo Martins é Presidente da SUCESU-SP |
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Ricardo Mansur é Vice Presidente da SUCESU SP |
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AVALIAÇÃO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE SOFTWARE E SERVIÇOS DE TI
Em Dezembro de 2009 foi apresentado pelo SOFTEX o volume 1 da publicação Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva pela SOFTEX. Mais informações sobre o material estão disponíveis no link www.softex.br/observatoriosoftex/_indicadores/default.asp
Os resultados apresentados mostram de forma bastante clara que TI definitivamente assume um papel relevante na cadeia estendida das empresas que são usuárias de tecnologia de informação e comunicação.
A combinação do indicador participação de profissionais de TIC em relação ao total de empregados das empresas que tem tecnologia de informação e comunicação como atividade secundária com o indicador investimento em TI como participação do faturamento líquido, mostra que a participação da tecnologia de informação na cadeia produtiva destas empresas é bastante solida, robusta e importante.
Tabela 8.2 - Participação de PROFSSs (Profissionais de TI) no total de empregados da NIBSS (Não IBSS, ou seja, empresa usuária de TIC) por seção CNAE 1.0 – Brasil, Fonte: 2005 - Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva
(1) Exclui divisão 72. (2) Inclui seções A- Agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal; B – Pesca; C – Indústrias extrativas; H – Alojamento e alimentação; P – Serviços domésticos; e Q – Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais. Fonte: Elaboração Observatório SOFTEX, a partir de RAIS/MTE, 2005
Investimento em tecnologia no Brasil. Fonte: Fundação Getúlio Vargas
O resultado apresentado confirma as conclusões de outros pesquisadores do ambiente de tecnologia no Brasil. No livro Governança Avançada de TI na Prática, o autor mostrou as conclusões da PNIPTI onde para 42% das empresas TIC representa um processo da cadeia de valor estendida.
Fonte: Figura 15.4 Valor agregado TIC – Governança Avançada de TI na Prática
O renomado pesquisador sênior do Centro para Pesquisas em Tecnologia da Informação do MIT, Peter Weill também chegou a número semelhante quando demonstrou que 38% das empresas brasileiras têm governança de TI (fonte: computerworld.uol.com.br/gestao/2009/09/15/apenas-38-das-empresas-brasileiras-tem-governanca-de-ti/)
Outro indicador importante do trabalho idealizado pela SOFTEX é a relação entre a quantidade de profissionais de TI ocupada nas empresas usuárias de TIC e na indústria de software e serviços. Apesar da relação PROFSS NIBSS/IBSS estar em queda, o patamar ainda é elevado o suficiente para que seja possível produzir duas afirmações:
1. Existe um enorme mercado potencial para a IBSS (Indústria Brasileira de Software e Serviços)
2. Apesar do enorme potencial de crescimento a IBSS tem problemas graves de competitividade. O mercado NIBSS (Não IBSS, ou seja, empresa usuária de TIC) vem suprindo as suas necessidades através de desenvolvimento interno e importações (Deve ser considerado como importação o desenvolvimento ou serviço de equipe interna feito em unidade da empresa no exterior).
Fonte: Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva
O problema da competitividade da IBSS fica mais claro quando é feita a avaliação dos indicadores de produtividade por funcionário. O indicador margem líquida por empregado e crescimento marginal da margem líquida por empregado mostram uma forte perda de produtividade provocada por capital intelectual restrito na IBSS.
O indicador produtividade do trabalho confirma o problema mostrado pelo crescimento marginal da ML/E, pois deixa claro que para ser alcançado o mesmo valor adicionado ao insumo é necessário um maior número de empregados ano após ano.
Mais uma confirmação da perda de competitividade da IBSS vem do indicador produtividade das vendas. Ele mostra que para obter a mesma receita operacional liquida (receita operacional menos deduções) é necessário um maior número de pessoas ano a ano.
Fonte: Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva
Fonte: Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva
O forte aumento do crescimento da participação da mão de obra no custo total com contrapartida negativa do crescimento marginal do lucro mostra a existência de um grave problema na gestão do capital intelectual na IBSS, pois a indústria está gastando cada vez mais em recursos humanos e produzindo menos.
A postagem “CARREIRA PROFISSIONAL EM TI. VALE A PENA INVESTIR TEMPO E DINHEIRO NELA?” no blog www.itgovrm.blogspot.com/2009/10/carreira-profissional-em-ti-vale-pena.html baseada na pesquisa Melhores Empresas de TI Para Trabalhar publicada pela revista ComputerWorld, mostra com mais clareza a questão da perda de produtividade, competitividade e capital intelectual da IBSS.
O trabalho Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva mostra que existe tanto um enorme mercado nacional ávido por fornecedores locais, como um mercado mundial com potencial gigantesco interessado no Brasil. No entanto a atual política para os recursos humanos vem inviabilizando o relacionamento funcionário e empresa de longo prazo e restringe sobremaneira a perspectiva de evolução do capital intelectual.
As projeções futuras apontam para um enorme déficit de capital intelectual individual e coletivo na IBSS, por isto os agentes formadores de opinião precisam encontrar pontos comuns para influenciar o mercado nacional para mudanças rápidas na atual política de gerenciamento de recursos humanos, pois do contrário este déficit projetado será transformado em mercado perdido.
Não fazer nada, vai manter a maior fragilidade da indústria e vai perpetuar o problema da capacitação profissional. A não solução do problema tem como boa notícia a eliminação do déficit, mas o custo será bem caro. Mercados potenciais serão perdidos para os Argentinos, Chineses, Indianos. Eles certamente agradecem e desejam este tipo de escolha.
CONCLUSÃO DA AVALIAÇÃO
Existe a oportunidade e o tempo necessário para as mudanças, no entanto é preciso fazer mais do que a IBSS está fazendo para explorar com efetividade este enorme potencial de mercado interno e externo.
A empresa de pesquisas IDC estimou movimentação de US$ 30,2 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) do segmento em 2009.
A participação da tecnologia da informação (TI) na produção nacional passa por uma expansão. A expectativa do mercado é de que a fatia de TI no PIB suba do atual 1,8% para cerca de 3% nos próximos anos. Nos países desenvolvidos e maduros em uso da tecnologia, o índice supera os 4%.
O Programa de Competitividade da Micro e Pequena Empresa de Softwares e Serviços de TI desenvolvido pela SUCESU SP e SEBRAE SP na cidade de São Paulo, ora em fase inicial de implantação, pretende ser um dos instrumentos para a melhoria da performance de gestão das empresas que farão parte deste programa.
No entanto é necessário ações estruturadas de todos os demais setores de mercado (governo, entidades de tecnologia, universidades, associações empresariais, etc..) para que haja uma ação integrada, visando o fortalecimento de todo o mercado de TIC (produtor e usuário), atividade esta fundamental para tornar sustentável o crescimento do PIB em nosso país.
Ricardo Mansur é Vice Presidente da SUCESU SP
José Jairo S. Martins é Presidente da SUCESU SP
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